facebook:

Chegamos à Maravilha

 

  Publicado em: 15/05/2014

Quando vislumbrei a placa indicando “Maravilha – 500 m” fiquei extremamente emocionado, afinal chegara ao local onde havia nascido há 66 anos. Era 9 horas da manhã e o dia estava lindíssimo, céu azul e temperatura agradável. Maravilha, hoje, é uma cidade com pouco mais de 10.00o habitantes, e se emancipou de Santana do Ipanema em 1991.

Na entrada da cidade ia ficando mais visível a Serra da Caiçara, imagem que povoou meu imaginário durante todo esse tempo. Em 1953, pouco antes de migrarmos para Regente Feijó, eu havia subido essa serra com a minha mãe, e do alto vislumbrei Maravilha pela primeira vez.

Maravilha, em 1953 era distrito de Santana do Ipanema, eu e minha família morávamos no “Sítio do Sinhozinho”, 4 quilômetros de distância do povoado. Meu pai era sapateiro e fazia esse percurso todos os dias, por uma estreita estrada de terra em meio à caatinga. Como o “Sítio do Sinhozinho” era um arrendamento localizado no Bairro do Caguinho meu pai era apelidado de “Sebastião Caguinho”.

Eu tinha, portanto, três referenciais pra ajudar a localizar o lugar onde nasci: a visão de Maravilha do topo da Serra da Caiçara, o nome do “Sítio do Sinhozinho” e o apelido de meu pai. Quando cheguei à pracinha da cidade a primeira coisa que fiz foi procurar pessoas que conhecessem o lugar, mas ninguém sabia. Notei que as pessoas foram se aglomerando ao meu redor, pois era a primeira vez que alguém aparecia na cidade tentando localizar, depois de 60 anos, o lugar onde houvera nascido.

De repente, uma pessoa me apontou um senhor de boné andando lentamente pela rua e disse: “Aquele senhor é o Zé Luiz, antigo tabelião da cidade, ele tem 82 anos e pode te ajudar”.

Com certeza o Zé Luiz sabia de toda a história. Lembrou-se inclusive de meu pai, que havia feito calçados pra ele quando era bem criança. O Zé Luís me levou até a casa do filho do Sinhozinho, um senhor muito amável que fez questão de me fazer adentrar em sua casa. Na reunião que fizemos na casa do Sinhozinho filho foi esclarecido onde ficava o local, distante 4 quilômetros de Maravilha. Eu estava muito emocionado e isso chamava a atenção de todos, inclusive de um barbeiro da cidade, que fez questão de nos acompanhar até o local.

Por volta das 10h30min saímos em direção ao local onde nasci. No carro de meu sobrinho Júnior, o motorista da viagem estava eu, minha cunhada “Nova”, viúva de meu irmão Leopoldo, o Sinhozinho Filho e o Jair, o simpático barbeiro, que também conhecia o local.

Gastamos menos de 10 minutos pra chegar ao local, entremeado de emoção a cada metro daquela estrada ainda de terra, mas bem conservada. Conforme havia prometido, coloquei o chapéu de cangaceiro, pra homenagear o esperado momento histórico. Afinal, havia enfim reencontrado o local onde nasci. Cada um dava uma pontada de emoção ao momento: o Sinhozinho Filho achou onde era a igrejinha e o Jair mostrou os tijolos, depois eu mesmo localizei onde era o local da casa de pau a pique onde eu nascera. Depois de muitos anos de espera, dei vida aos fantasmas que povoavam a minha mente.

                                               **********

Descrição das fotos:

1 – Entrada para Maravilha, Alagoas

2 – Maravilha e a Serra da Caiçara

3 -  Esses me ajudaram a achar o local onde nasci.

4 – A estrada que liga Maravilha ao “Sítio do Sinhozinho”

5 – Debaixo de uma quixabeira

6 – Pisando o lugar onde nasci, uma viagem ao passado (2014 a 1953)

Sociólogo e professor de história, terminou sua carreira como docente universitário em 2008, quando aposentou-se. Foi vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara Municipal de Presidente Prudente durante três legislaturas: 1989/1992; 1997/2000; 2005/2008. É autor dos livros “Onde Liberdade” (1981) e “No balanço da nave” (1997).

Erro ao conectar com banco