| Presidente Prudente/SP

Exposição no bosque se mistura à paisagem e provoca reflexões

Da Redação

Em 27/09/2018 às 13:05

Instalação reúne quatro obras que abordam temas como habitação social, consumo e desperdício

(Foto: Estevão Salomão/AI)

Desde a Revolução Industrial, suas florestas têm sido reduzidas, sua paisagem transformada e sua população amplamente aumentada. As cidades e a atual realidade em que se encontram é o tema da mais nova exposição do Sesc Thermas de Presidente Prudente ‘De Quem é Essa Terra’, aberta à visitação no bosque da unidade.

Até janeiro de 2019, o público pode conhecer obras que provocam reflexões sobre temas como habitação social, consumo e desperdício.

Com curadoria de Fábio Delduque, de São Paulo, a exposição é composta por quatro obras de autorias dos artistas prudentinos Carmo Malacrida e Tile Amato, além dos paulistanos Fernando Limberger e Eduardo Srur.

Além de ser o palco das criações, o cenário verde do bosque também passa a ser parte integrante das obras, possibilitando novos significados com o público.

Esta comunicação se dá por meio da Land Art, corrente artística nascida no final dos anos 1960, e escolhida para a exposição, na qual a paisagem, em vez de ser o tema ou o ambiente onde se insere uma obra de arte, é ela própria parte integrante da obra.

De acordo com o curador Fábio Delduque, a Land Art foi utilizada pensando especificamente nas exposições já realizadas na unidade. “O Sesc Thermas tem priorizado este tipo de trabalho, justamente por transformar seu bosque e os jardins que o circundam em uma grande galeria a céu aberto”, constata.

O ponto de partida da exposição é o trabalho da artista prudentina Carmo Malacrida, que mostra um grande mapa de Presidente Prudente denominado “Google Off”, feito em lona e plotagem.

A peça vem sendo completada por crianças que realizam expedições mediadas pela artista com vivências no centro da cidade, o território onde, no início, era a cidade inteira.

Nas expedições, as crianças são convidadas a representar suas experiências em cada local com desenhos, pinturas, fotografias e objetos que são transportados para o mapa, instalado no Bosque do Sesc.

A obra também remete ao passado e às transformações urbanas e sociais ocorridas nos locais percorridos, mas as vivências das crianças em cada ponto do mapa é o que dá vida a ele.

“A obra não é a realidade do mapa em si, mas a ação das crianças em mapear suas experiências e deslocamentos neste palco que atuamos, a cidade de Presidente Prudente”, atesta a artista.

O prudentino Tile Amato, por sua vez, tem sua obra “Habitar” composta por uma centena de casinhas de passarinhos coloridas, instaladas nas árvores do bosque do Sesc. A obra, que pode ser lida de diversas maneiras associadas à situação de habitação e da civilização atual, está disposta em agrupamentos de acordo com a localização das árvores, e faz um convite à reflexão sobre a forma como se ocupa os espaços, segundo Amato.

“Eu me baseei na forma que nós seres humanos e habitantes temos nos relacionado com nossos espaços, públicos, privados e existenciais. Existenciais no sentido de enxergar as pessoas sempre vivendo em um modo automático em meio a um caos urbano, sem tempo mesmo para um autoconhecimento”, explica.

De acordo com o prudentino, a escolha das casas de passarinhos para a representação remete às consequências da falta de planejamento urbano que afetam a natureza.

“A correlação com as casas de pássaros vem no sentido de que a fauna acaba sendo destruída conforme seus habitats vão sendo extintos pelo crescimento desgovernado das cidades. Também trago estes temas de forma lúdica, pois percebi a quantidade de crianças que frequentam o lugar”, esclarece.

Com o “Mercado”, um carrinho de supermercado realista de 3,5 metros de altura, o artista Eduardo Srur provoca a reflexão sobre a maneira como a sociedade se relaciona com o consumismo.

A escultura gigante de metal, estacionada ao lado da quadra do Sesc, aponta para a urgência de mudança nos hábitos de consumo que dominam o modelo de vida contemporâneo e impactam na natureza. A obra já foi exposta na entrada do museu francês The Museum of European and Mediterranean Civilisations (MuCEM).

Eduardo Srur iniciou sua carreira nos anos 1990, com a pintura, e no início dos anos 2000 começou a pesquisa e o uso do espaço público para desenvolver instalações com novos materiais e diferentes linguagens visuais, abrindo caminho para a produção experimental das intervenções urbanas.

Suas obras se utilizam do espaço público para chamar a atenção para questões ambientais e para o cotidiano nas metrópoles, sempre com o objetivo de ampliar a presença da arte na sociedade e aproximá-la da vida das pessoas.

Já Fernando Limberger mergulhou no universo do próprio Sesc para criar a obra “Praças Plásticas PP”. São quatro “piscinas” circulares com areias coloridas, que se conectam diretamente com o bosque e o parque aquático do Sesc.

De acordo com Fernando, a criação possibilita a participação do público e reflete a convivência no bosque da unidade. “A obra em relação com o fluxo de pessoas que frequentam esse parque e com os encontros que acontecem aqui. O trabalho acontece com a interação das pessoas. Os círculos estão abertos para as pessoas poderem entrar, brincar e usufruir da maneira que quiserem”, conta.

A exposição fica em cartaz até 21 de janeiro de 2019, de terça a sexta, das 8h às 19h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h30.

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