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Sesc Thermas exibe filme sobre intolerância e o poder das palavras

Da Redação

Em 21/08/2018 às 09:00

Dirigido por Yvan Attal, drama mostra relação entre uma francesa de origem árabe e um professor preconceituoso

(Foto: Divulgação)

Nesta terça-feira (21), o projeto de cinema do Sesc Thermas de Presidente Prudente, o Cine Bosque, exibe uma produção atual, tanto por sua data de lançamento, como por seu contexto. O drama franco-belga "O Orgulho" apresenta uma história que revela o poder das palavras e a intolerância à diversidade cultural, representados pela relação entre uma estudante francesa de origem árabe e um professor preconceituoso. A sessão começa às 19h30, com entrada gratuita.

Dirigido por Yvan Attal, ator e diretor israelense radicado na França e filho de argelinos, o longa-metragem narra a história de Neila Salah (Camélia Jordana), uma jovem nascida na França filha de imigrantes árabes, mas que não é considerada pela sociedade em geral uma cidadã francesa. Neila é uma estudante de direito em uma das principais universidades de Paris e sonha ser advogada.

A trama se inicia quando a jovem chega atrasada no primeiro dia de aula, chamando a atenção do professor Pierre Mazzard (Daniel Auteil), que começa a humilhá-la na frente de todos e desfere uma série de provocações raciais, despertando a ira dos outros estudantes, que filmam a discussão e fazem o vídeo viralizar.

Apesar dos alunos veteranos conhecerem o professor de longa data e parecerem tratá-lo mais como uma figura folclórica do que como um racista de fato, inúmeras queixas são registradas contra o docente.

Ameaçado de demissão, já que a repercussão do vídeo foi imensa e a instituição tenta dissociar sua imagem da extrema direita e da elite, seus superiores lhe propõe uma segunda chance, na qual ele é desafiado a preparar a moça para vencer um concurso acadêmico de eloquência.

Colocado no cargo por influência de um diretor amigo, o docente possui uma grande capacidade de argumentação e agilidade mental, aliadas a um sarcasmo profundo e humor afiado, o que faz dele uma grande duelista em uma discussão.

Munido de Schopenahuer, Aristóteles e outros filósofos, o professor vai conseguindo conquistar a simpatia e a cumplicidade da aluna, em uma relação que evolui para o respeito, mas passa por muita agressão mútua. As diferenças são enormes, assim como a quantidade de ensinamentos que um pode oferecer ao outro.

Apesar do aspecto de superação das diferenças em nome de algo maior, o filme se mostra atual e arrojado, conectado com os atuais conflitos raciais e os problemas sociais que a França, e a Europa como um todo, vivem. O texto apresenta uma heroína que, apesar de representar uma minoria, é empoderada o suficiente para ascender e conquistar seus objetivos.

Vale lembrar que, no mês passado, a França venceu a Copa do Mundo com um time formado por vários jogadores com ascendência africana e árabe. A seleção é um motivo de orgulho para os franceses, mas até que ponto ela é exceção?

Valores, tradições, costumes: o conjunto desses elementos constitui a cultura de um povo ou de um grupo de identificação. Quando pessoas diversas se relacionam, o choque inicial, geralmente, é inevitável.

Mas, os filmes que compõem a mostra Choque de Cultura mostram que mais desafiador – e proveitoso – do que entrar em conflito com o outro, é conhecer e conviver com ele. A mostra se encerra no dia 28, com a exibição do longa-metragem Ciganos da Ciambra.
 

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