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Show e espetáculo são experimentados por grupo de surdos em Prudente

Da Redação

Em 30/10/2018 às 20:03

Participantes destacam sensação de pertencimento ao participarem de eventos no Sesc Thermas de Presidente Prudente

(Foto: Estevão Salomão/Sesc Thermas)

Era noite. Por volta das 20h quando eles começaram a chegar. Podia-se ouvir as orientações dadas pelos funcionários na fila. O grunhir das catracas que só fazia aumentar a contagem de público presente. A ansiedade da moça que comentava com a amiga o quanto era fã. Eles não. Eles não ouviam nada disso, mas entendiam perfeitamente o que tinham de fazer, para onde ir e porque estavam ali. Era dia de festa. Era dia de show. E, sim, os surdos iriam ao show!

O grupo de cerca de 20 pessoas da Associação de Surdos e Surdas de Presidente Prudente e Região (ASSPP) foi convidado especial para o show do sambista Jorge Aragão, que ocorreu no bosque do Sesc Thermas de Presidente Prudente no último sábado (27).

Isso porque a apresentação, que teve abertura dos músicos locais Elly Guimarães e Ulisses Souto com Quinteto do Samba, contou com intérpretes em Libras que se revezaram no palco, dando a oportunidade de todos sentirem e entenderem as músicas.

Durante a semana, o grupo de surdos já havia estado no Sesc para acompanhar a abertura do Seminário de Esportes Inclusivos, Participativos e de Lazer, que também  teve, durante toda a cerimônia, interprete em Libras, inclusive na apresentação do espetáculo Conexões, da Cia. Circodança.

“Foi bem emocionante participar da abertura do Seminário, porque todos puderam entender a cerimônia como um todo, o protocolo, as piadas do Clodoaldo [Silva, paratleta que foi mestre de cerimônias na ocasião], as falas das autoridades e até mesmo o espetáculo. Para muitos foi o primeiro espetáculo com Libras, ou seja, com o entendimento do todo”, conta a voluntária da Associação de Surdos e Surdas de Presidente Prudente e Região, a comerciante Maria Darcy Mariz Morano, 64 anos.

Ela, que é ouvinte mas tem três irmãos com deficiência auditiva, foi uma das que voltou ao Sesc Thermas no sábado para o show. Os surdos tiverem um lugar especial bem em frente ao palco, a fim de terem vista ao intérprete e uma experiência completa do show, com todas as sensações.

“Uma experiência diferente, principalmente por ver a felicidade dos surdos em poder participar e se sentirem incluídos no ambiente. Não somente por entender o que o cantor estava dizendo, mas pelo sentimento, pela emoção de participar. Essa com certeza foi a parte mais importante”, destaca Maria Darcy.

Outra que estava presente e com samba no pé, Laís Agnes da Silva, 29 anos, é surda, usuária de dois aparelhos auditivos, oralizada e bilíngue. “Fiquei encantada!”, afirma. Pedagoga e mestranda em Educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), ela frisa a sensação de pertencimento.

“Me senti contemplada. Ver o sorriso no rosto de meus amigos surdos por estarem ali participando de tudo o que estava acontecendo e saber que eles também estavam gostando, não tem dinheiro que pague”, aponta.

“Ás vezes, para muitos dos que estavam no show, a presença dos intérpretes no palco não teve significado algum e devem até ter se perguntado: o que pessoas surdas fazem em um show se não ouvem o som, a música? Bom, nós surdos somos humanos. Também somos pessoas iguais aos ouvintes. Temos sentimentos, sorrimos, choramos, trabalhamos, estudamos, vivemos e experimentamos o mundo assim como todos, porém, de um jeito diferente. Não conheço nenhuma pessoa que seja igual a outra. Todos nós temos as nossas limitações. Bom seria se fossemos mais empáticos sempre, como nesse show”, complementa a pedagoga.

Frequentador assíduo de grandes shows, como em exposições e rodeios, o motorista José Dalcio de Mariz, 59 anos, fala sobre a “experiência maravilhosa” que teve, como ele mesmo define.

“Sempre frequento eventos e muitas vezes entro de forma gratuita por conta da deficiência, mas somente agora pude estar realmente num show e compreender o que acontecia. Estou muito feliz, pois nunca vi show aqui em nossa cidade com intérprete. Achei sensacional. Foi a primeira vez que estive no Sesc e fiquei muito feliz com a receptividade das pessoas e com os intérpretes no palco”, aponta. (Com Assessoria de Imprensa)

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