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Mapeamento da leishmaniose sugere alerta em todo Estado

Da Redação

Em 21/02/2018 às 18:05

Descoberta sobre modo predominante de dispersão da doença requer vigilância não só nas regiões endêmicas

(Foto: João Paulo Barbosa/AI Unoeste)

O resultado de estudo científico inédito sobre a dispersão territorial da leishmaniose visceral humana alerta gestores públicos de saúde no Estado de São Paulo para manter vigilância não só nas regiões endêmicas ou potencialmente endêmicas.
 
É que a doença se espalha de dois modos: adjacentes (cidades vizinhas) ou aos saltos (cidades distantes), com a predominância do segundo em relação ao primeiro. A partir de bases de dados georreferenciadas e disponibilizados publicamente, a descoberta sugere alerta geral e permanente.
 
Houve ainda outra descoberta significativa e que reforça a mesma recomendação: a disseminação da doença independe de condições do nível de desenvolvimento socioeconômico, podendo afetar pobres e ricos; conforme análise do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). 
 
Os dados que alimentaram a análise espacial, realizada pela pesquisa científica conduzida pelo médico Rodrigo Sala Ferro, foram extraídos de bases como as da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde.
 
A doença entrou no Brasil pela Bolívia, inicialmente instalada no Mato Grosso do Sul. O primeiro caso paulista foi registrado há 20 anos, em 1998 na cidade de Araçatuba. De lá até 2016, contraíram a leishmaniose mais de 2,7 mil moradores de cerca de 100 municípios do interior e litoral paulista, mais especificamente no Guarujá, onde duas crianças morreram no final de 2016, em tratamento no Hospital Santo Amaro.
 
Uma doença que, se não tratada, pode levar à morte em 90% dos casos, segundo o Ministério da Saúde. A transmissão ocorre, principalmente, pela picada no mosquito-palha, o vetor da doença que tem o cachorro como um dos hospedeiros.
 
O estudo está inserido num grupo de pesquisa criado em 2012 e tem se tornado referência no assunto pela qualidade e sequência dos trabalhos, com cinco publicações em periódicos científicos europeus. 
 
Sediado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente, na região do Pontal do Paranapanema, o grupo tem como parceiros a Unesp, USP-SP, Instituto Adolpho Lutz e Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).
 
O pesquisador Dr. Luiz Euribel Prestes Carneiro, médico infectologista, afirma que o Pontal está se tornando uma região endêmica.
 
“O controle é muito difícil. Depende do meio ambiente, dos cães infectados, do diagnóstico, do tratamento das pessoas infectadas e de ações públicas sobre o controle do lixo urbano e dos animais. Ainda tem a questão do vetor, o mosquito-palha, que se adapta muito bem em regiões de clima quente e úmido no verão, como o do Pontal e de outras regiões do Brasil onde a doença é emergente, em áreas de serrado e de degradação ambiental. Outro grande problema está na especulação imobiliária, com grandes espaços urbanos vazios e de difícil controle sanitário, os quais servem como depósito clandestino de lixo e abandono de cachorros; aumentando a vulnerabilidade”, disse o pesquisador.
 
O estudo do também infectologista Ferro, além do alerta que proporciona, levanta outras questões a serem investigadas pelo grupo de pesquisa: se existe só um tipo de vetor, se somente o cachorro é hospedeiro do mosquito-palha em áreas urbanas e como ocorre a dispersão aos saltos.
 
São questionamentos de interesse global, por se tratar de uma doença grave, encontrada em todos os continentes e que o Brasil é o país que detém o indesejável primeiro lugar do ranking de pessoas infectadas na América Latina, com 90% dos casos.
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