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"Cartografia do Sonho Prudentino", por Rubens Shirassu

*Rubens Shirassu Júnior

Em 12/09/2014 às 15:27

O escritor Rubens Shirassu Júnior resolveu homenagear Presidente Prudente com um poema. A cidade comemora 97 anos no próximo domingo (14).

Cartografia do Sonho Prudentino

Te vejo no melindre da língua

da história que se bifurca neste vale

sem tréguas, erma nas léguas

dos migrantes lavradores iludidos

pelo canto das sereias de néon da cidade:

queriam vencer na vida,

como fazendeiros do ar.

A língua aqui valia

a palavra dada

Sem papel escrito

Nem assinatura lavrada.

Levou o povo que sonha o vale verde

à vala comum.

Os frutos

colhidos ao tempo

Os homens

caiados no tempo

Os sonhos

caídos do tempo

O pesadelo diante de poucos tostões,

os horizonte ceifados pelas hélices

selvagens da máquina do progresso,

colhendo milhões de fardos, de café, algodão,

amendoim empacotado de São João

Fest, fabricado em série,

fora do alcance daquelas mãos, para o alto

vagam onde os vagões da vida

descarrilham.

Te vejo, homem da roça, suplicar uma providência

do divino, quem lembra? Prevalece, prefalece

vale onde me fundo:

alma e lama

do mesmo barro.

Cresce o poema sem adubos nem manifestos

onde a cerca de estacas cai aos pedaços,

apodrecida de esquecimento e pobreza.

Presidente Prudente, o que queres?

saliva ruminada de estábulos,

cuspe sorrateiro na cabeça de códigos

De orgulho, ostentação e etiqueta.

Exposição de dentes, de medalhas, troféus,

Títulos de nobreza, mas és (so)mente

Arcadas secas ao sol.

Presidente Prudente dos candelabros!

O poema se levanta da riqueza recusada

e verde é teu tempo onde para sempre

serás vão, vale a verdura das plantas

guardar-te às vivências elementares.

Te vejo Presidente Prudente

no voo rasante do povo

de alma de andorinha!

Se teu voo é de delícias doces,

etéreas, amargas, orvalhadas adentro

no céu do espaço inerte.

Andorinha que permanece livre

na vida do azul aberto,

solta e fogosa de ser,

agente da malandragem

buscando rebeldia interestelar.

Cresce a semente no vale verde

de alguns milagres de refeição

de reconciliação de amor perdido

em amor achado de Deus,

fechar as portas todas e deixar uma fresta

para a esperança do homem prudente

do campo, das palavras e suas metamorfoses

que atravessam de círculo em círculo,

de casas em casas e do mundo,

e as circunstâncias todas

que atravessam,

o sonho largo, longo

e fundo no fim da via:

na carne viva

do lavra (dor)

Lavrar inteiro do tempo

debaixo das unhas,

a terra debaixo das unhas,

na vida sobre a terra

e nas unhas vivas da morte

madura debaixo da terra.


*Rubens Shirassu Júnior é escritor

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