Eliseu Vinsconti
Em 13/09/2010 às 17:12
Sempre afirmei que Prudente é uma pequena grande metrópole, com suas quatro universidades, grandes lojas, excelentes escritórios de advocacia, clínicas médicas e dentárias, jornais, rádios e televisão. Como sede da 10ª Região Administrativa de São Paulo, com quase um milhão de habitantes em 54 municípios, temos, em nossa cidade, as representações dos principais órgãos públicos estaduais e federais.
O que nos falta, então? Muita coisa, é certo, como a capacidade de nos orgulharmos da nossa própria terra, o compadrio que ainda comanda a nossa política, e mina o Serviço Público – o que aliás, não é privilégio nosso, mas que cuja existência não pode servir de consolo e nem justificativa – e o triste desconhecimento das nossas origens e da nossa história, que explica muito do que somos e do que nos tornamos.
A leitura e a compreensão da história constituem ferramentas fundamentais da cidadania.
O escritor russo Alexander Pushkin (1799-1837) nos disse, com toda a propriedade, que o respeito pelo passado é o traço que distingue a instrução da barbárie; as tribos nômades não possuem nem história, nem nobreza.
O que mais se ouve pelas nossas esquinas, seja nos chamados ambientes cultos, como nos balcões e mesas dos bares, é que Prudente é “cidade de boiadeiros, analfabetos, com fobia cultural.” Queixamo-nos de ser uma das mais pobres regiões do Estado de São Paulo, e afirmamos, com desencanto e desesperança, que “aqui não há indústrias, mas só presídios e invasores de terras.”
Os profetas do Apocalipse esquecem-se, todavia, que Prudente é longe, muito longe, do centro decisório estadual, e que o grito do nosso quase milhão de habitantes, chega muito fraco ao Olimpo.
Mas que isso não nos sirva, como dito acima, de consolo ou justificativa, mas sim, de alento e um chamado à responsabilidade.
Sugiro aos prezados leitores a leitura das obras do professor Dióres Santos Abreu, o historiador da nossa cidade, essenciais ao esclarecimento daqueles que se intitulam cidadãos prudentinos. Dióres nos apresenta, como fruto de dedicada pesquisa, a história de Prudente tal como foi, lançando as necessárias luzes sobre a nossa história, que ajudarão a compreender quem somos e a formular planos futuros.
O povo Peul, de nômades da África Ocidental, é antigo – e sábio, por isso mesmo – e tem um ditado: “Quem conhece o ontem e o hoje, conhecerá o amanhã, porque o fio do tecelão é o futuro, o pano tecido é o presente, e o pano tecido e dobrado é o passado.”
Da interessantíssima leitura de Dióres extraio, só para atiçar o apetite, que no ano de 1921, Prudente tinha cerca de 20.000 km 2, cerca de 8% da área do Estado, que foram, com o tempo, desmembrados em dezenas de municípios que guardam em comum com os vizinhos, portanto, identidade geográfica, étnica e de recursos naturais, tendo, por isso, responsabilidade com o destino comum.
A cidade de Prudente nasceu com o comércio, os serviços e a agricultura, e este é o nosso destino, que devemos cumprir com ética, trabalho e dignidade, sem lamúrias, mas com muito esforço.
Concluamos com as palavras de Cícero, o grande orador, que garantia: não saber o que aconteceu antes do nascimento é a mesma coisa de permanecer criança para sempre.
*Eliseu Visconti é jornalista e escritor
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