Carlos Hideki
Em 22/10/2010 às 12:58
Os médicos anestesistas de Presidente Prudente não aderiram à paralisação da categoria realizada em todo o Estado de São Paulo desde essa quinta-feira (21) com o objetivo de protestar contra o que consideram baixo repasse dos convênios, bem como exigir que o governo federal crie um novo plano de cargo e salários no Sistema Único de Saúde (SUS). Eles também dizem lutar contra a falta de equipamentos adequados em alguns hospitais.
De acordo com a médica responsável pela secretaria regional da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (Saesp) em Presidente Prudente, Sandra Regina Junqueira, não houve paralisação na cidade. “Aqui não aconteceu porque quase 90% dos anestesistas atendem pela Unimed, que é uma cooperativa e já paga um pouco mais. Não teria sentido pararmos as atividades porque somos nós mesmo que assinamos e, por ser cooperativa, estaríamos perdendo dinheiro”, conta.
Ela fala que para os outros convênios sempre é feita uma negociação para os valores pagos. “Cada um paga um honorário, mas sempre tentamos negociar”, diz Sandra.
A médica acredita que a paralisação também não chegou aos hospitais públicos de Prudente. “O Hospital Regional faz atendimento pelo SUS, mas o trabalho de anestesiologia é terceirizado, o que poderia ter aderido seria o Hospital Estadual, que só atende o SUS e tem os salários mais baixos”, comenta.
Procurado pelo Portal, o médico coordenador do departamento de anestesiologia do Hospital Estadual, Joaquim José de Castilho, confirma que o salário é baixo em relação à jornada de trabalho, que é de 20 horas ou 40 horas, entretanto, afirma que também não paralisaram os serviços.
“Nós trabalhamos com urgência, a proposta é de parar as cirurgias eletivas, que são programadas, então não temos como participar”, explica ele.
Segundo Castilho, o pedido não é só dos médicos anestesistas. “É uma situação que está acontecendo não só nessa especialidade. É um movimento nacional que já aconteceu também com os cardiologistas”, comenta.
“Com melhorias no honorário, o médico tem oportunidade de se atualizar com participação em eventos e congressos, é uma cadeia que finaliza com melhoria no atendimento beneficiando os pacientes”, afirma o médico.
Ele diz que a paralisação não aconteceu em Presidente Prudente por falta de união da categoria. “Não houve adesão com relação a essa proposta porque infelizmente aqui a classe médica não é coesa”, pontua Castilho.
A paralisação atingiu 70% dos 480 hospitais públicos e privados do Estado e 2,3 mil médicos anestistas não trabalharam durante o dia. De acordo com a Saesp o médico anestesista recebe R$ 105 dos convênios para fazer uma cesariana, se fosse particular esse valor seria em torno de R$ 1,5 mil.
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