Carlos Hideki
Em 10/09/2010 às 10:20
O número de menores apreendidos no primeiro semestre de 2010 aumentou 47% em relação ao mesmo período do ano passado nos 21 municípios atendidos pelo 18º Batalhão da Polícia Militar do Interior (18º BPM/I), sediado em Presidente Prudente. De acordo com a polícia, os principais delitos cometidos por eles são furtos e envolvimento com drogas. Para um especialista, o crescimento reflete a falta de políticas públicas voltadas aos jovens.
De acordo com o levantamento do 18º BPM/I, nessas 21 cidades foram apreendidos 46 menores em flagrante e 30 tiveram o mandado de apreensão efetuado, totalizando 76 jovens recolhidos nos seis primeiros meses deste ano. O número é 47% maior que o mesmo período de 2009, quando foram no total 40 apreensões, sendo 27 em flagrante.
O comandante do 18° batalhão, tenente-coronel Geraldo Fernandes Néspoli Berardinelli, revela que a maioria das ocorrências é relativa a furtos e envolvimento com drogas. “Algumas são relacionados ao tráfico, mas é um número menor e não é significante em relação à população da cidade. A maior parte é pelo consumo de entorpecente”, conta.
Ele ainda fala que muitos jovens são coagidos por adultos a cometerem crimes acreditando em sua impunidade. “Outra parte vive de pequenos furtos para alimentar o vício nas drogas”, aponta.
Para o professor mestre em ciências sociais e religião Wilson de Luces Fortes Machado, o envolvimento do jovem com o crime está relacionado com a falta de políticas públicas integradas. “Temos muitas ações para o jovem, mas são todas desconectadas. Por exemplo, educação só vê o jovem com a visão de educação e não consegue o entender como um todo. Assim como o esporte, a cultura, enfim”, diz.
Ele explica que essas políticas públicas devem criar espaço para que o jovem possa participar de forma ativa na sociedade. “Elas devem incidir primeiro na família, que é o núcleo de apoio, e depois fortalecer as relações comunitárias para coexistir socialmente com o idoso, a questão da mulher, mas isso de forma ativa e não só como observador”, destaca.
“O aumento de apreensões de jovens envolve a questão econômica, de trabalho e educação. É fundamental dar oportunidades e não apenas um suporte para que eles possam reproduzir as mesmas condições de pobreza. Um passo importante é oferecer a mesma qualidade na educação do ensino privado na escola pública”, analisa Machado.
O sociólogo fala que o adolescente tem a necessidade de se expressar e é preciso criar canais que direcionem isso para longe da criminalidade. “Se essas formas são tiradas, quais são as outras formas? Quando o jovem não tem um projeto de vida e quer manter a visibilidade, vemos coisas absurdas como o envolvimento com o tráfico nas favelas”, explica.
Sobre a questão das drogas na sociedade, Machado diz que existe uma banalização de seu consumo e também o seu barateamento. “Hoje a disponibilidade do crack é tremenda, existe uma facilidade de adquirir a um baixo custo. É preciso uma política nacional de combate às drogas”, afirma.
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