Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

'As metáforas perfeitas' trata do sexo visto como mercadoria

Rubens Shirassu Jr.*

Em 14/10/2010 às 17:30

Acredito na pasteurização do namoro e prazer sexual transformado em produto de consumo, muito bem manipulado pelo marketing. Isso é sem dúvida um subproduto da revolução sexual dos anos 60. Ainda que ninguém mais leve a sério as ideias de Wilhelm Reich (ele acreditava, por exemplo, que a liberação sexual traria o socialismo), algo daquele discurso forjado na esteira do feminismo, da pílula anticoncepcional e na crença em que o homem é senhor do próprio destino permaneceu, apesar da Aids e de algumas ofensivas conservadoras.

Ao mesmo tempo, vivemos a fase dos sexólogos respondendo perguntas dos telespectadores em transmissão pela TV, em revistas e jornais. Em jogo a orientação sexual do jovem com o respaldo da ciência, assegurando o crédito dos programas e colunas. Revistas femininas e masculinas tanto em formato papel ou em CD-ROM se tornaram verdadeiras enciclopédias do sexo, abordando da anatomia a parafilias (cada um de um grupo de distúrbios psicossexuais em que o indivíduo sente necessidade imediata, repetida e imperiosa de ter atividades sexuais, em que se incluem, por vezes, fantasias com objeto não humano, auto-sofrimento ou auto-humilhação, ou sofrimento ou humilhação, consentidos ou não, de parceiro. Deste grupo fazem parte o exibicionismo, o fetichismo, a frottage, a pedofilia, o masoquismo sexual, o sadismo sexual e o voyeurismo) que a maioria de nós nem sabia que existiam. Não há portal da Internet que não dedique gigabytes ao assunto.

O modelo site de comunidade e amizades, além dos programas de orientação sexual e namoro na TV, obviamente estão longe de propor a anulação dos tabus sexuais. Todos são até bem-comportados demais para o meu gosto, o que o torna um pouco maçante e artificial. Mas eles se colocam como um jogo de “livres” escolhas que é a metáfora perfeita – a exemplo do cadastro de informações gerais sobre o usuário – de uma sexualidade alienante e alienada, que é mercadoria, mas se pretende como intermediador ou praça virtual.

*Rubens Shirassu Jr. é designer gráfico e escritor

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