Carlos Hideki
Em 20/09/2010 às 19:30
Depois de não comparecerem a duas sessões às quais tinham sido convidadas para prestar esclarecimentos sobre os serviços de transporte coletivo urbano, as empresas Transporte Coletivo de Presidente Prudente (TCPP) e Pruden Express foram à reunião marcada na Câmara Municipal sem nenhum projeto concreto em mãos, ao contrário da expectativa dos vereadores, que esperavam um plano sobre o setor.
Entretanto, durante a reunião, foram cogitados dois futuros projetos para solucionar alguns dos principais problemas do transporte coletivo na cidade. A criação de uma via rápida, somente para ônibus, como existem em grandes centros como Curitiba, capital do Paraná; e uma ouvidoria exclusiva para reclamação da população.
O representante das empresas, Rodrigo Palhares de Oliveira Silva, falou sobre a criação de corredores de ônibus. “Isso visa facilitar o deslocamento dos usuários, já que hoje o transporte coletivo não tem prioridade”, disse.
Já o vereador Natanael Gonzaga (PSDB) sugeriu a construção de terminais rodoviários para melhorar o transporte urbano, enquanto o representante das empresas acrescentou que deveria ainda haver uma integração com outros fatores. “Nós temos ideia de alguns terminais e seria importante que eles fossem interligados ao centro pelos corredores de via rápida”, destacou.
Sobre a ouvidoria, Palhares anunciou a criação de um Centro de Gerenciamento Operacional. “Com esse sistema, um fiscal único poderá responder pelas duas empresas. A ideia é levantar nos bairros quais as necessidades e trazer para as empresas”, explicou.
Esta central de atendimento ficaria sob responsabilidade do atual encarregado de tráfego da TCPP, José Ricardo Góes. “Vai ser o contato do usuário com a empresa. Hoje, se você for pedir uma informação para um funcionário, ele só vai saber responder em qual trabalha. Existe uma ideia de representantes indo aos bairros verificar reclamações”, comentou ele.
Para o presidente da Câmara, Izaque Silva (PSDB), a reunião foi importante, porém, destaca que não correspondeu as suas expectativas. “Eu esperava receber o projeto, foram debatidos alguns problemas, mas a solução para questões como superlotação e novas linhas não foram apresentadas. Eles pediram mais uma vez prazo e agora espero que eles levem a conhecimento da população o plano”, reclamou Silva.
Palhares defendeu as empresas sobre a demora para entrega do plano. “Pedimos prazo para colocar no papel a mudança sugerida. Prudente vem sofrendo um baque com o aumento na venda de veículos e motos, e a população está crescendo. Com mais trânsito, a freqüência do ônibus atrasa”, alegou. Ele lembrou que desde os anos 80 o município sofreu mudanças e o sistema viário continua o mesmo.
Segundo ele, o maior problema encontrado é com o transporte em horários de pico. “Se aumentar o número de ônibus para suprir a necessidade de pessoas, vai travar o trânsito”, argumentou.
Além disso, o representante das duas empresas falou que outro problema está relacionado aos pontos. “Tem um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] para que até o final de 2012 os ônibus sejam adaptados para deficientes físicos, mas tem pontos que são inviáveis operar o elevador por estar em uma calçada irregular”, explicou.
Também participaram da reunião os diretores da TCPP, Oracy Pinheiro, e da Pruden Express, Mariângela Silva Gonçalves, além dos vereadores Clóvis de Lima (PR), Kátia Guímaro (PSDB), Alba Lucena (PTB), Natanael Gonzaga (PSDB) e Antônio Norival Renna (PDT).
Projeto
O plano do transporte coletivo já está quase finalizado e falta ainda ser apresentado para a Secretaria de Assuntos Viários (Semav), conforme o representante da TCPP e Pruden Express. “Nós mapeamos todas as linhas da cidade e construímos planilhas com análises e pretendemos atacar principalmente a questão do horário de pico”, adiantou Palhares.
Tráfego
De acordo com o encarregado de trafego da TCPP, hoje são 134 veículos rodando na cidade. “Por mês, são 15 mil viagens de ida e volta em cada linha e são rodados 850 mil km”, informou. Ele disse que os obstáculos encontrados durante o caminho atrasam as linhas de ônibus. “Em um trecho com 35 km é possível encontrar cerca de 120 obstáculos, é muito difícil cumprir horário assim”. Ele classifica como obstáculos lombadas, sinais e valetas, além de desvios naturais.