Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Estudo mapeia temperatura em PP e revela noites mais quentes

Carlos Hideki

Em 14/08/2010 às 12:08

Uma pesquisa realizada pela Unesp de Presidente Prudente aponta o aumento de 1,5ºC na temperatura mínima da cidade em relação à média normal climatológica, que varia entre 21°C e 21,5°C. O estudo ainda detalha as áreas mais quentes da cidade e seus motivos, bem como mostra que municípios de médio porte enfrentam os mesmos problemas de metrópoles como São Paulo.

De acordo com o professor e geógrafo João Lima Santa’anna Neto, um dos autores da pesquisa, o levantamento mostra os impactos da urbanização na elevação das temperaturas independente do aquecimento global. “O problema começa na maneira como as cidades são construídas e um dos problemas apontados é a falta de arborização”, explica.

O geógrafo chama a atenção para o fato de a temperatura mínima ter aumentado 1,5°C e a máxima, 0,4°C em Prudente. “A pesquisa mostrou o aumento na temperatura devido aos dias possuírem mais horas quentes e, principalmente, pela elevação térmica à noite, por volta das 21h, ou seja, as cidades têm armazenado calor em suas estruturas, como o concreto, que é liberado quando o sol se põe, aumentando a temperatura noturna”, conta.

Ele revela que os pontos com maior concentração de calor em Presidente Prudente são nos bairros Cohab, Cecap, Jequetibás e Vila Líder. “Na área residencial, isso acontece porque as casas são construídas próximas umas as outras, sem arborização e com material inadequado. Uma boa opção seria o uso de telhas de cerâmica ao invés da de Eternit”, pontua Neto.

Segundo o professor, o ponto que sofre com mais concentração de calor na cidade é onde funciona o maior shopping, porque ele é coberto com telha de zinco e tem o estacionamento todo asfaltado, além de possuir poucas árvores. “Lá, a diferença de temperatura com outros pontos do município chega até 4ºC em dias quentes.”

Sobre a diferença entre temperaturas, Neto destaca que chega a 8ºC entre o shopping e a mata da Vila Furquim, considerado o local menos quente da cidade. “Essa diferença mostra que cidades de porte médio sofrem os mesmos problemas que metrópoles como São Paulo, que têm um número de habitantes muito maior e a diferença de 12°C”, completa.

A pesquisa analisa 16 cidades com base em dados do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), mas até o momento traz conclusões sobre oito delas: Presidente Prudente, Catanduva, Franca, Bauru, Avaré, São Carlos, Piracicaba, Santos e Ubatuba. “Escolhemos fazer o estudo de uma cidade de cada região geográfica”, fala o professor.

“Verificamos que nas regiões norte e oeste do Estado houve esse mesmo padrão de elevação de temperatura, já no litoral as máximas aumentaram e na cidade de Bauru houve um equilíbrio”, completa ele.

Para o geógrafo, se houver a arborização necessária e as construções forem feitas com os materiais adequados para não reter calor, além da diminuição na temperatura a saúde dos habitantes também será beneficiada. “A médio e longo prazo, o que é economizado na construção é gasto porque os moradores apresentam doenças no aparelho respiratório”, diz.

Os responsáveis pela pesquisa são os professores da Unesp João Lima Sant’anna Neto e Margarete Cristiane de Costa Amorim, além da participação de alunos e outros professores da Universidade.

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