Da Redação
Em 18/08/2010 às 18:27
Prudente recebe a partir dessa sexta-feira (20) os melhores espetáculos teatrais brasileiros que integram o Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente (Fentepp). Em sua 17ª edição, o evento reúne 27 espetáculos de diversas cidades do Brasil.
No primeiro dia, dois espetáculos marcam a abertura do festival, a primeira peça é “Rebú”, que será apresentada às 20h, no Teatro César Cava. Em seguida, às 22h, no Centro Cultural Matarazzo, será a vez da peça “Meio-dia do Fim”.
A peça Rebú da Cia. Teatro Independente, do Rio de Janeiro, traz o texto de Jô Bilac, a história passa-se no fim do século XIX, quando um jovem casal, que mora em uma casa isolada, prepara-se para receber a irmã adoentada, Vladine, que traz consigo Nataniel, uma espécie de filho, o seu bem mais preciso. O exagero e cuidado hiperbólico com a saúde de Vladine, somados à presença de Nataniel, faz com que se crie uma rivalidade entre Bianca e os hóspedes, levando o embate às últimas conseqüências. O espetáculo tem ares cinematográficos, que remetem a um set de filmagem.
A peça Rebú foi indicada ao Prêmio Shell de Melhor Direção e alcançou a marca de mais de 200 apresentações em 60 cidades do País. A Cia. participou de importantes Festivais de Teatro como o FIT de São José do Rio Preto, FITA de Angra dos Reis, Festival Nacional de Recife – Mostra Cariri - e Festival de Teatro de Curitiba.
Já a peça Meio-dia do Fim, da Cia. Pessoal do Faroeste, de São Paulo-SP, que será apresentada às 22h, no Centro Cultural Matarazzo, traz questões relacionadas ao amor e a propriedade. A peça leva ao palco a história de um casal de latifundiários, Jorge e Antônia, na virada do século XXI, que às vésperas de comemorar 30 anos de casados, ressalta a discussão entre a propriedade de seus bens e o amor. O centro do palco recria a sala de um casebre antigo.
Segundo o diretor Larlei Rangel, o processo de construção ocorreu de forma artesanal, trazendo à tona as situações latifundiárias das personagens, aos quais permite demonstrar que existe uma lógica da posse, que é a mesma tanto nas suas relações financeiras, quanto nas afetivas. “Tratando a idéia de propriedade privada, o espetáculo cria ecos que se aproximam das questões que nos movem enquanto artistas”, afirma o diretor.
As personagens desta peça vivem histórias de amores impossíveis, por acatar as ordens dos pais, grandes fazendeiros interessados no arranjo fundiário que o casamento proporciona. Jorge e Helena são primos únicos e se amam, mas aceitaram se casar com Antônia e Chico, respectivamente, pois, afinal, casamento entre primos não aumenta o latifúndio.
A história começa no dia do velório de Chico, que morreu em circunstâncias estranhas. Após o enterro do amigo, no caminho de volta para suas terras, Antônia decide passar com Jorge no local onde aconteceu a morte. Todo esse mistério, aliado ao fantasma do amor dos primos e à possibilidade da perda de terras, é combustível para as inesperadas atitudes de Antônia. A luz do meio-dia que invade o espaço apresenta a contradição entre o casebre e o latifúndio e coloca as personagens diante das suas próprias contradições. Nesta situação limite, ambos tem de fazer a escolha entre o amor ou a propriedade.
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