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Hoje é sexta-feira 13: saiba mais sobre a lenda

Carlos Hideki, Maycon Morano e Thiago Ferri

Em 13/08/2010 às 01:21

Esta sexta-feira, a segunda do mês de agosto, é 13, o que significa para muitas pessoas um dia de azar. É dia de evocar à memória as mais diversas superstições, cortar volta de gatos pretos, não passar debaixo de escadas, lembrar da folha de arruda, sal grosso, ferradura, enfim. A ciência afirma que esta é uma data comum e que as pessoas seguem superstições baseadas em representações de imagens transmitidas por gerações, cujo significado se perdeu no tempo. A religião tem uma explicação e, na numerologia, o 13 representa transformações.


Sal grosso, ferradura, figa; tudo contra o azar (Ilustração/Maycon Morano)

Para o mestre em ciência da religião e professor Marivaldo Gouveia, a superstição é resultado de um ambiente em que as pessoas dão importância às questões simbólicas. “Geralmente são feitas representações mentais baseadas em tradições que são transmitidas por diversas gerações e muitas vezes não se sabe nem o seu significado”, diz.

Uma das explicações para a forte superstição da data entre os cristãos seria o fato de Jesus ter sido crucificado em uma sexta-feira. “Algumas pessoas acreditam que a sexta-feira é um dia de azar por associar com a crucificação de Cristo e acreditam ser um dia de maldade”, conta o professor.

Somado a isso, alguns associam também o número 13 ao azar e, uma das explicações seria relacionada à Última Ceia, que contou com 13 pessoas: Jesus e os 12 apóstolos, entre eles, Judas Iscariotes, que ocupava o 13º lugar à mesa.

Outra crença estabelece que no dia 13 de outubro de 1307 o grupo de sacerdotes denominado Ordem dos Templários passou a ser perseguido pela igreja na Europa.

O professor diz não acreditar que a superstição ligada à Santa Ceia tenha coerência e afirma que deveria ter outra conotação. “Eu acredito que a Santa Ceia está associada com a vida e não com o azar”, pontua Gouveia.

Mas nem todas as superstições estão relacionadas à religião. Fala-se também numa lenda na qual a deusa Friga, ao se converter ao cristianismo, transformou-se em uma bruxa e, para se vingar, passou a se reunir com outras 11 bruxas e um demônio. Os 13 rogavam pragas aos humanos.

Em seu site, a numeróloga Aparecida Liberato fala que o número 12 fecha um ciclo perfeito e, assim, o 13 passa a significar a transformação (destruição) e, por isso, causa medo da evolução que pode acontecer. Entretanto, ela conclui que o número representa a transformação e o renascimento.

O medo também está presente na fala do professor quando o assunto é superstição. “O fato de acreditar nessas crenças mostra que o ser humano tem ao mesmo tempo curiosidade e receio em relação ao futuro”, diz Gouveia.

O Portal ouviu a numeróloga Maria Orlando, de São Paulo. Ela acredita que este número não determina sorte ou azar a uma pessoa. “O 13 é um número reduzido para quatro [1 + 3], que em sua simbologia tem um equilíbrio entre coisas boas e ruins, como todos os números”, fala. Ela conta que a sexta-feira 13 vem acompanhada de um mês e ano, e que depende do resultado da matemática aplicada à crença.

(Foto: Cedida)
Para o contador Rodrigo Ananias de Castro, nascido no dia 13 de agosto de 1983 e que completa 27 anos nesta sexta-feira, a data não faz diferença. “Não acredito em sorte ou azar por causa de um determinado número ou por ter nascido em alguma data específica”, diz.

Contudo, ele confirma sua crença nos dois. “Claro que existe sorte e azar. No último fim de semana eu participei de um torneio de pôquer, um jogo típico de sorte ou azar. Fiquei quatro horas e meia sem conseguir nenhum bom jogo, passei todos. Fiquei em trigésimo dentre 60 competidores. Há um mês, com praticamente as mesmas pessoas como adversárias, conquistei a quinta colocação e uma boa premiação”, compara ao se justificar.

Em relação à sexta-feira 13, Ananias de Castro é enfático. “É apenas conto popular, eu não acredito nisso não”, conclui.

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