Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Influências

Davison de Lucas

Em 01/09/2010 às 14:17

A possibilidade de colocarmos nossas competências na direção errada é grande, pois são muitas influências sobre o nosso 'Eu'. São aspirações familiares, estímulos ambientais, herança genética, fantasias infantis, instintos, aspectos culturais, traumas, complexos, alimentação, vícios, estímulos religiosos e pensamentos coletivos entre outras e algumas ainda a serem descobertas pela ciência. Indiscutivelmente, as religiões acertam quando sugerem orar e vigiar, principalmente os pensamentos.

Acredito que ter bom senso nas tomadas de decisão tem a ver com vencer a si mesmo, que por sua vez tem a ver com saber identificar e lidar com tais influências. O que não é nada fácil, considerando que, geralmente, tais forças estão escondidas no inconsciente. 

Como a mudança é descontínua, repentina e algumas vezes impiedosa, a escolha talvez seja uma das constantes mais importantes que um Ser Humano enfrenta na vida.

Em face disso, perante as escolhas costumo analisar as circunstâncias considerando os riscos, as oportunidades, as probabilidades, minhas fraquezas e fortalezas, e as conseqüências. Em seguida verifico se não se trata de “modismo” ou “pressão da sociedade”, utilizando o meu senso de autonomia. Já em uma visão mais ampla, procuro considerar se a decisão vai agregar valor as minhas grandes causas e se confronta com os meus valores, principalmente ética, equilíbrio e qualidade de vida. Para que isso ocorra ao meu contento, invisto muito em autoconhecimento – referente ao consciente – e em autodescobrimento – visando o inconsciente –, através de muitas reflexões e anotações.  Detalhe muito importante: sempre desconfiadíssimo do meu pensar.    

Comparo a vida moderna com um trem-bala. Você senta ao lado da janela, mas não consegue ver os detalhes da paisagem. De maneira geral, você só quer chegar rapidamente ao seu objetivo, sem saborear o processo, que traz as essências da vida. Vida é processo.

Veja só o estágio que chegou uma sociedade dita como moderna:   

Até um tempo atrás a cultura norte-americana considerava como vencedor quem adquiria um patrimônio de um milhão de dólares antes de atingir a idade de 30 anos. Como a estratégia daquele país é acelerar, hoje, quem não atingir essa cifra antes dos 25 anos será chamado de perdedor. Levando em conta que a economia americana não está bem e levará um bom tempo para se recuperar, é fácil deduzir que aumentou sensivelmente o número de frustrados naquele país. Com isso, o número de pacientes com problemas psíquicos aumentou significativamente e boa parte das clínicas teve que adotar como padrão de atendimento ao paciente o tempo máximo de 20 minutos. Um absurdo. 

Questiono constantemente: para quem a sociedade americana presta conta? Não deve ser para o bem. Sem querer generalizar, o ser humano com certeza não está em primeiro plano. É como se o sucesso profissional fosse tudo e o conforto material excessivo fosse o anseio padronizado de todos. É a idolatria do “ter”, colocando o “Ser” em segundo plano. O “ter” tem a sua importância, mas não podemos inverter. Tem certas profissões que jamais atingirão grandes rendimentos. Essa é a lógica do trabalho e do mercado. 

E, por sua vez uma meta deve ser exeqüível e alcançável. Fora disso é desequilíbrio.

Realmente não é fácil ser jovem norte-americano nos dias atuais. Eu morro de dó. É uma provação ter o livre arbítrio bem restrito.

Mas o que você pode esperar de um país que vive em guerra e que existem indícios de seus partidos políticos serem patrocinados pela indústria armamentista? 


*Davison de Lucas é consultor organizacional e palestrante

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