Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

'Longe deste insensato mundo' defende mundança da Câmara

Eliseu Visconti*

Em 17/09/2010 às 14:54

As cidades nasceram e se desenvolveram em torno dos locais de cultos religiosos. No centro da praça principal erguia-se o templo, e o comércio fixava-se à sua volta. A inexistência da televisão, de clubes sociais, de cinemas e outros divertimentos levava o povo a freqüentar as praças nos momentos de folga.  A população construía suas casas nas cercanias, pois não existiam automóveis e o transporte se fazia primordialmente de forma individual. Por isso, o crescimento da maioria das cidades deu-se de forma desordenada, ocasionando aglomerados urbanos, em que se amontoavam casas e estabelecimentos comerciais, interligados por ruas e vielas estreitas, de difícil acesso.

O resultado do processo foi a quase inviabilização das cidades. Trânsito moroso, calçadas intransitáveis, insuficiência de infraestrutura de esgotos, água, energia, escolas e hospitais, e deslocamento da população para a periferia e áreas longínquas. Caíam por terra as noções de distância e pontualidade. Para ir e voltar do trabalho empregava-se tempo demasiado. A concentração do comércio, do serviço público e das áreas de lazer tornava a vida um verdadeiro sofrimento.

Os governos, ao constatar o problema, passaram a planejar a ocupação do espaço urbano. Abriram-se novas ruas e avenidas, criaram-se novos bairros, zoneou-se o comércio e as repartições governamentais e melhorou-se a infra-estrutura, na medida do possível. Grande planos urbanísticos, como o do Barão de Haussmann, na Paris do fim século 19 e de Pereira Passos, no início do século 20, no Rio de Janeiro, organizaram e racionalizaram espaços.

Nos anos 60, surgia Brasília, a nova capital do Brasil, a mais de 1.500 quilômetros do Rio de Janeiro, a então sede de Governo. Muita bulha se criou em torno daquela concepção. Os profetas do apocalipse maldiziam o plano de JK. Poucos acreditavam nos planos de Lucio Costa e Niemeyer.

Mas aí está Brasília, há meio século, e ninguém mais pensa em distância.

O planejamento exige coragem e visão, para dar certo.

Prudente é o caso típico: já há muitos anos sabe-se que a cidade está se esgotando pouco a pouco, embora disponha de uma considerável área geográfica. Nosso centro está entupido, sem terrenos disponíveis. A Prefeitura e a Câmara Municipal funcionam num prédio ultrapassado, que não dispõe de espaço e instalações minimamente suficientes às suas funções. Construído na década de 60, época em que eram 400 os funcionários da Prefeitura e 40.000 os habitantes da cidade, não tem mais espaço sequer para os arquivos. Deus nos livre de um incêndio na Av. Cel. José Soares Marcondes 1.200! O Judiciário não dá mais conta de cumprir o seu papel.

Nossos governantes vêm se preparando para o grande salto a ser dado por Prudente, município em fase de crescimento vertiginoso.  Encontra-se em avançada fase de planejamento a construção de um centro administrativo, que abrigará os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, inclusive a Polícia, alem de bancos, lojas e restaurantes. Será a nossa nova Brasília.

A área, de 30 alqueires, funcionará em local adequado, no sentido natural do crescimento da cidade. A maturação do projeto será de pelo menos cinco anos, e tudo funcionará, na época, satisfatoriamente, como transporte e comunicações.

A Câmara Municipal deu o pontapé inicial, ao definir o projeto arquitetônico da sua nova Casa. Num concurso público, amplamente divulgado e acompanhado de perto por arquitetos, professores e juristas, venceu o arquiteto Renato Marcondes Pinheiro, que é bisneto de um dos nossos gloriosos fundadores, o Cel. José Soares Marcondes.

Impõe-se a construção de uma nova Câmara. Por mais que se reclame do seu distanciamento, deve-se raciocinar que ela não estará em funcionamento antes de 18 meses. Já existe plano para o transporte eficiente. Outra informação para o raciocínio dos críticos - eles têm pleno direito à crítica e merecem ser informados adequadamente para melhor exercer o seu direito - a Câmara realizou, de 1º de janeiro a 31 de agosto passado, 11.573 atendimentos, o que equivale a 1.447 atendimentos por mês e a 73 por dia, se considerados 20 dias mensais. A distância da nova Câmara não deverá constituir, portanto, um problema popular de tão grande monta.

Mas a Câmara e a Prefeitura querem muito, querem muito mais. O governo de Prudente quer ver a cidade crescendo e sendo atendida em todas as suas reivindicações.

O Centro Administrativo de Prudente jamais será inviabilizado e nem oferecerá dificuldades à população por causa de infraestrutura. Nosso prefeito e o secretário de Planejamento são engenheiros experimentados e competentes.

O primeiro projeto nasce sob as bênçãos de um dos nossos fundadores, o Cel. Marcondes. Por que não daria certo?

*Eliseu Visconti é jornalista e escritor; atualmente exerce a assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Presidente Prudente

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