Da Redação
Em 15/10/2010 às 12:03
Uma sacola plástica com frascos de mercúrio metálico, produto altamente tóxico, foi abandonada em um terreno vazio no município de Rosana. Crianças acharam os frascos e levaram para casa. Até agora, foram identificadas pelo menos 50 pessoas com algum grau de contaminação, entre crianças e adultos.
Pai, mãe e seis crianças, com idades entre 2 e 12 anos, foram contaminados. Foram contaminadas ainda a avó das crianças, uma tia e dois primos. O produto, achado no dia 21 de junho passado, foi também levado para uma escola.
O grau de contaminação é mais elevado nas 12 pessoas da mesma família. Os casos mais graves são os de duas meninas, de 2 e 3 anos de idade, que foram internadas duas vezes com diarreia. Uma delas teve sangramento na gengiva. A alta da última internação, em Campinas, foi no último dia 1º de outubro.
A sala de aula onde o mercúrio foi manuseado foi desinfectada com enxofre. As duas casas da família - dos pais da criança e da avó - ficam lado a lado, e seguem interditadas.
“Eles mantiveram o mercúrio dentro de casa por pelo menos oito dias. Só perceberam o problema quando as crianças começaram a apresentar eritema na pele e diarreia. A mãe pegou o mercúrio e jogou fora, na mesma área onde tinham encontrado. Os profissionais de saúde fizeram o alerta e enviamos o Corpo de Bombeiros para fazer as buscas e o recolhimento do material”, conta o secretário de Saúde da cidade, David Rodrigues.
Ele diz que o mercúrio descartado irregularmente, pertencia, provavelmente, a uma clínica odontológica, pois junto com a sacola continha também próteses dentárias. Ele explica que o mercúrio, em pequena quantidade, é usado para fazer obturações de dente com amálgama.
Apesar de ser identificado como material de consultório odontológico, o secretário afirma que não é possível saber se é de algum consultório da própria cidade, já que Rosana está na divisa com os estados de Paraná e Mato Grosso do Sul e o local onde o descarte foi feito é relativamente perto da rodovia.
Fabricado em 2002, o prazo de validade do mercúrio estava vencido desde 2007. O correto seria que o descarte fosse feito na Vigilância Sanitária do município.
O mercúrio é um metal líquido e prateado, altamente tóxico. É o mesmo encontrado em termômetros. Em contato com pessoas, causa danos graves à saúde, sobretudo ao sistema nervoso, cardiovascular, imunológico e reprodutivo.
As pessoas expostas ao mercúrio estão sendo acompanhadas pelos diversos serviços municipais e pela Secretaria de Estado da Saúde. De acordo com Rodrigues, os 50 pacientes contaminados estão sendo submetidos semanalmente a exames de sangue e urina. A primeira medida é que o mercúrio seja expelido do organismo.
Conforme o secretário municipal de Saúde, os frascos estavam jogados em uma área de eucaliptos na periferia da cidade, a 200 metros de um terreno da prefeitura usado para descarte de entulho de construção civil e corte de árvores, que não tem qualquer tipo de proteção e fica na periferia da cidade, no Distrito de Primavera.
Multa
A prefeitura foi multada em R$ 83 mil pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), mas recorreu do valor. Argumenta que o produto não pertencia à prefeitura e não estava dentro do local de descarte de entulho de material de construção, apenas próximo a ele.
Como as duas moradias da família seguem interditadas pela Cetesb, a Prefeitura de Rosana cedeu uma casa de sua propriedade, próxima a um posto de saúde, para abrigar as 12 pessoas com grau mais alto de contaminação. Segundo Rodrigues, foi registrado boletim de ocorrência e o caso está sendo investigado pelo Ministério Público.
As informações são do jornal O Globo