Da Redação
Em 30/08/2010 às 18:23
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou nesta segunda-feira (30) com ação civil pública pedindo o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias de três delegados da polícia civil paulista que são acusados de participarem diretamente de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimento forçados e homicídios, em serviço e nas dependências de órgãos da União, durante o regime militar (1964-1985). Um deles atua hoje em Presidente Prudente.
A ação pede a responsabilização pessoal de Aparecido Laertes Calandra, David dos Santos Araujo e Dirceu Gravina – os dois primeiros aposentados e o terceiro ainda na ativa, no Deinter-8 de Presidente Prudente –, além da condenação a reparação por danos morais coletivos e restituição das indenizações pagas pela União.
Capitão Ubirajara, capitão Lisboa e JC, codinomes utilizados, respectivamente, pelos três policiais enquanto atuaram no Doi/Codi, foram reconhecidos por várias vítimas ou familiares em imagens de reportagens veiculadas em jornais, revistas e na televisão.
Os procuradores da República que propuseram a ação colheram relatos de ex-presos políticos e de seus familiares que teriam sido vitimados pelos atos dos três policiais, além de reunir depoimentos retirados de documentos como processos de auditorias militares, arquivos do Dops e livros, entre eles “Brasil: Nunca Mais” e “Direito à Memória e à Verdade”. (Clique aqui para ler o documento).
Conforme a acusação do MPF, o mais jovem dos três policiais e até hoje no cargo de delegado da Polícia Civil, em Presidente Prudente, Dirceu Gravina era chamado pelos colegas de JC – uma alusão a Jesus Cristo por, à época, com pouco mais de 20 anos, manter os cabelos compridos e lisos e usar crucifixo – ele é lembrado nos relatos por sua violência.
Gravina foi reconhecido em 2008 por Lenira Machado, uma de suas supostas vítimas, após aparecer em reportagem sobre investigação que o delegado conduzia acerca de um “vampiro” que agia em Prudente e mordia o pescoço de adolescentes. O MPF aponta que, presa por três dias no DOPS, Lenira teve toda a roupa rasgada por Gravina e outros dois policiais quando foi transferida ao Doi/Codi, ficando por 45 dias apenas com um casaco e lenço. (Com informações da assessoria de imprensa do MPF)
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