Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

MST entra na campanha e pede 'luta' para eleger Dilma

Do Estadão

Em 15/10/2010 às 16:31

O Movimento dos Sem-Terra (MST) decidiu assumir sua simpatia ao atual governo e entrar na campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Em nota divulgada nesta sexta-feira (15), o movimento conclama a militância para "se engajar nessa luta, que é importantíssima para a classe trabalhadora".

Com o título "Vamos eleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil", o comunicado assinado também pela Via Campesina - braço internacional do MST -, e por outros 13 movimentos sociais diz que é preciso "derrotar a candidatura Serra [José Serra, candidato do PSDB], que representa as forças direitistas e fascistas do País".

Crítico do governo Lula, apesar de ter suas bases abastecidas com recursos federais, o movimento decidiu sair dos bastidores da disputa eleitoral depois de avaliar a possibilidade de derrota da candidata petista.

A cúpula do MST vinha negociando com outros movimentos a forma de exteriorizar o apoio sem o risco de piorar ainda mais o quadro eleitoral. Embora as invasões de terra tenham sido praticamente suspensas desde o último "abril vermelho" - a jornada de lutas do movimento -, em função do calendário eleitoral, a maioria da população não aprova as ações do MST como indicam pesquisas recentes.

O texto do "comunicado ao povo brasileiro" foi definido quinta-feira à noite, depois de uma série de reuniões em Brasília, São Paulo e outras capitais, mas só divulgado na sexta.

Os signatários consideram que os avanços do governo Lula na reforma agrária foram insuficientes. Manifestam, ainda, preocupação com o arco de alianças da candidatura de Dilma Rousseff, pois "há forças políticas que se contrapõem a essas demanda sociais", mas veem no candidato tucano um "inimigo" de suas bandeiras de luta.

"Pelo caráter antidemocrático e antipopular dos partidos que compõem sua aliança [de Serra], estamos convictos de que uma possível vitória sua significará um retrocesso paras os movimentos sociais e populares."

No primeiro turno, o MST liberou os simpatizantes para votarem em candidatos identificados com os partidos de esquerda que, segundo a nota, "infelizmente tiveram votação inexpressiva".

Nesta sexta, no interior de São Paulo, coordenadores regionais reuniram-se com as bases em assentamentos e acampamentos para definir estratégias de ação. "Estamos conclamando a militância para que saia às ruas e peça votos para a Dilma", disse Clédson Mendes, da coordenação estadual.

Segundo ele, além da ligação histórica do PT com os movimentos sociais, o candidato tucano José Serra tomou posição contra a reforma agrária. "Quando governador, o Serra fez um projeto de lei repassando as terras públicas do Pontal do Paranapanema para os grileiros", disse Mendes, numa referência ao projeto do governo estadual para a regularização fundiária da região.

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