Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Profissionais da saúde defendem políticas públicas antidrogas

Da Redação

Em 03/08/2010 às 11:55

“Políticas públicas eficientes e ágeis, sobretudo por parte do governo federal, para um melhor enfretamento de drogas lícitas e ilícitas”. É assim que profissionais da área médica definem uma melhor forma de prevenção quanto ao consumo de substâncias psicoativas, tais como o álcool, o crack, entre outras substâncias químicas.

O posicionamento foi evidenciado durante o encontro “Caps – Trabalhando para uma sociedade melhor”, organizado pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps) – Álcool e Droga (Caps AD) de Presidente Prudente na manhã desta terça-feira (3), na Casa do Médico, e que reuniu cerca de 270 pessoas.

Sem referenciar dados regionais, justamente por não existir um estudo recente que aponta tal estatística, a médica psiquiátrica e coordenadora do Programa de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Vânia Sato Ikuhara, expôs que um levantamento nacional encomendado pelo governo federal e divulgado recentemente mostrou que em âmbito nacional, 2,3% dos jovens são usuários de crack. Droga que, segundo ela, é uma das piores existentes em decorrência do alto poder de dependência química.

“A maioria que faz experimento desse tipo de substância ilícita acaba viciada, se torna na verdade dependente do crack para sobrevivência. Enquanto que, na verdade, ao invés de trazer essa satisfação que muitos alegam, ele traz de fato um alto poder de destruição física e principalmente social. Muitos chegam até a roubar para aquisição da droga. São coisas gravíssimas que nossa sociedade está vivendo e que muitas vezes não quer enxergar”, disse ela.

Vãnia ainda destacou que o álcool, que na maioria das vezes é considerado a porta de entrada para as drogas, também preocupa em território nacional. “Cerca de 12% da população brasileira, entre jovens e adultos, são dependentes deste tipo de droga lícita. Dessa taxação porcentual, entre 6% e 7% são jovens, o que nos preocupa ainda mais. Por outro lado, vale ressaltar que 50% dos brasileiros, são absistémicos, isto é, já experimentou ou não o álcool, e que atualmente não fazem ingestão de bebida alcoólica nenhuma”, detalhou.

“Enquanto não tivermos uma política pública eficiente e que surta resultados, essas estatísticas continuaram aumentando, e aí reverter esse atual cenário ficará cada vez mais difícil”, completou ela.

O pensamento é o mesmo da coordenadora técnica do Caps de Prudente, Mônica Tolomei Cassimiro. “O Caps tem uma função extremamente importante, só que o número de unidades existentes no País é ainda é muito pouco se comparado à demanda que temos hoje. Então, o que precisa nos ajudar propagar essas informações são políticas públicas que alcancem efetivamente o território nacional e que sejam bem desenvolvidas e planejadas para o contexto de cada realidade.”

Mônica lembra que a unidade prudentina atende atualmente 208 pacientes por mês, classificados em regimes de atendimento, de acordo com a gravidade e necessidade dos sintomas. Assim, são homens e mulheres acima de 18 anos, e adolescentes com idades entre 13 e 17 anos, que passam por tratamento nos regimes intensivo (três vezes por semana, em período integral); semi-intensivo (duas vezes por semana, também em período integral); e não-intensivo (a cada 15 dias ou uma vez por mês, dependendo do caso).

O secretário municipal de Saúde, Sérgio Luiz Cordeiro, frisou que o município vai implantar tão logo um novo Caps que prevê tratamento psicológico para adolescentes dependentes de álcool e drogas, e que hoje dão entrada na unidade já existente, através de encaminhamento do Poder Judiciário, por cometerem crimes ou delitos, em decorrência da dependência. “Estaremos abrindo um Caps exclusivo para este tipo de público, no prédio onde hoje, por enquanto, funciona a UBS [Unidade Básica de Saúde] da Cohab”, disse.

O evento na Casa do Médio termina às 12h20.

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