Cidade já foi referência na revelação de atletas e, hoje, dos 50 que treinam, apenas dois despontam como promessa
Do Estadão
Em 09/08/2010 às 10:34
Presidente Prudente ficou famosa por ser um polo de talentos do atletismo. André Domingos, Claudinei Quirino e Vicente Lenilson saíram daqui. O grande descobridor de atletas era Jayme Netto Junior, que, apesar de banido do esporte por assumir a culpa do maior escândalo de doping, ocorrido ano passado, segue como referencial para a atual geração. Os novos técnicos, no entanto, ainda estão se adaptando à função de olheiro. E com isso o número de revelações está em queda, a seis anos da Olimpíada no Brasil.
Dos 50 jovens que treinam diariamente na pista da Unesp, em Prudente, apenas dois são considerados promessas de medalhas para 2016: Jean Cassimiro Rosa e Maíra dos Santos Silva.
Jean, de 20 anos, é o terceiro no ranking brasileiro adulto no salto triplo – perde apenas para Jadel Gregório e Jefferson Dias Sabino. Com estilo técnico peculiar, segundo seu treinador Dino de Aguiar Cintra Filho, o jovem de Paraguaçu Paulista tem chances de estar já no próximo Mundial, em 2012, e ser um dos favoritos nos Jogos do Brasil. "Ele estará com 26 anos (em 2016), o ápice de um atleta", explica.
A pressão de ser uma aposta já perturbou mais o garoto, que adiou várias vezes a entrada definitiva para o mundo do atletismo: "Eu entrava e saía, porque estudava em escola municipal e os torneios eram estaduais", diz ele.
Agora, Jean se diz tranquilo e confiante no seu potencial. "Quando você compete sem pressão de ser favorito é mais fácil. Mas tento fazer meu papel e estou seguro do que quero."
Por enquanto, o treinamento de Jean segue um ritmo moderado. De acordo com Dino, a estratégia é não forçar muito agora, para que o jovem chegue ao auge da performance na hora certa.
Outra discípula de Dino, Maíra, que ficou perto do índice para o Mundial Juvenil desse ano, é a aposta no salto com vara. "Ela já faz 3,80m. A meta é marcar 3,90m, até 4m ela tem condições", indica o técnico.
No fim de julho, porém, ela fez 3,70m no Campeonato Brasileiro Sub-23. Culpa da vara. "A gente não tem muitas varas em Prudente. Na hora, a minha vara ficou fraca e isso me prejudicou", explicou a atleta, que ficou em segundo, atrás de Sara Santos Pereira.
Pouco investimento. Apesar de escassos, os novos talentos de Prudente só existem por causa do programa estadual Centro de Excelência. É um dos motivos de a cidade continuar atraindo atletas. "Todo mundo quer vir para cá, até parece uma fábrica dos sonhos", comenta o ex-velocista Claudinei Quirino, diretor do programa.
A fábrica de revelações, no entanto, sofre com a falta de investimentos. A Unesp voltou a cobrar taxa de uso pela pista e os próprios técnicos têm de comprar equipamentos, como o colchão para o salto com vara. (Ana Paula Garrido/O Estado de S.Paulo)
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