Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Tempo seco dobra ocorrências de queimadas em Prudente

Carlos Hideki

Em 24/08/2010 às 09:11

Após 39 dias sem chuva, o número de atendimentos realizados pelo Corpo de Bombeiros para ocorrências de queimadas dobrou em Presidente Prudente. De acordo com informações da corporação, em períodos comuns são registrados de oito a dez por dia, mas nas últimas semanas, com o tempo seco, passa para de 18 a 20 casos diários.

De acordo com comandante do Posto Centro de Presidente Prudente, tenente Maicon Costa de Cristo, o tempo seco tem contribuído para o aumento nas ocorrências. “O que tem ocorrido, principalmente, é a queimada de vegetação natural ocasionada por acidentes ou por ação do homem”, explica.

Entre os casos classificados como queimada de vegetação natural, o tenente cita que se enquadram também situações de limpezas em terrenos baldios. “Quando somos acionados, temos como procedimento ir com o caminhão e combater a queimada”, diz.

A mesma situação se encontra em Presidente Epitácio, segundo informações da companhia houve um aumento de dois a três atendimentos para de sete a oito por dia. “Na área urbana aumentou o número em limpeza de terrenos e na zona rural na redução da mata de preservação para o aumento na área de pastagem, isso é considerado crime ambiental”, fala o comandante do Posto de Bombeiros de Presidente Epitácio, tenente João Henrique Papoti.

O tenente de Epitácio salienta que é necessário as pessoas tomarem medidas preventivas. “É preciso manter o mato baixo através da poda e em áreas rurais criar um espaço entre a pista que circula carros e a área de plantação”, fala. Ele orienta também sobre os problemas provocados pelas queimadas. “Ela prejudica o meio ambiente, o terreno e os vizinhos, ocasionando problemas respiratórios”, destaca.

Meteorologia

O professor e responsável pelo Centro de Metereologia da Unesp, Tadeu Tommaselli, conta que a última chuva caiu na cidade no dia 16 de julho. “Choveu 27 milímetros em quatro dias seguidos, o que não foi muito. O tempo já estava seco, deu uma molhada, mas continua como está hoje”, afirma.

Segundo Tommaselli, a região é atingida por uma massa seca estável localizada na América do Sul, que começa na Amazônia e vai até o Estado de São Paulo e não há previsão de chuva. “A massa seca dificulta a movimentação das frentes frias e a transição da umidade da região amazônica”, conta. “Esse ano a temperatura de agosto está um pouco acima da média porque normalmente nesse mês venta mais e o clima é mais ameno”, conta o professor.

O Centro de Metereologia apontou na tarde de segunda-feira (23) que a umidade relativa do ar chegou a 16%. Às 9h dessa terça-feira, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os índices ainda estavam abaixo dos 20%. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o recomendável é 60%.

Além de contribuir para o aumento no número de queimadas, o tempo seco traz problemas de saúde para a população. O Portal noticiou que na última sexta-feira (20), a umidade relativa do ar chegou a 19%, o que é considerado para a Organização Mundial da Saúde (OMS) estado de alerta.

No mesmo dia, também foi divulgado um balanço do Pronto Atendimento 24 horas do Ana Jacinta que apontava mais de 400 atendimentos num único dia decorrentes de problemas alérgicos e respiratórios causados pelo tempo seco.

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