Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Wlad, o 'vampiro prudentino', vai a Júri Popular

Thiago Ferri e Carlos Hideki

Em 26/08/2010 às 15:45

Vandeir Máximo da Silva, que em 2007 ficou conhecido nacionalmente como Wlad Hacamia, o vampiro prudentino, deve ir a Júri Popular pelo crime de tentativa de aborto com consentimento da gestante, já que, segundo a acusação, quando soube que a amante estava grávida teria tentado provocar o aborto alegando que a criança seria o “anticristo”. Ele foi pronunciado em primeira instância pela Vara do Júri de Presidente Prudente, mas já recorreu da decisão.

Conforme descreve a Justiça Pública na denúncia, Wlad iniciou um relacionamento amoroso com sua vizinha Vanessa Aparecida dos Santos, que era casada, se aproximando dela com estórias de que nascera havia milhares de anos, na era pré-cristã, que era imortal, dotado de poderes sobrenaturais e vampiro, com a missão de combater pretensos refains, gigantes mitológicos bíblicos, dentre outros.

Consta que sempre relatando tais fantasias, criou um clã composto em sua maioria por adolescentes, do qual se autoproclamou líder, designando Vanessa, a quem conferiu o codinome de “Athena”, como sua “rainha”.

Depois de alguns meses de relacionamento, ela engravidou no primeiro semestre do ano de 2007.

Acusação

A acusação afirma que, tomando conhecimento gestação e não desejando o nascimento da criança, “o imputado, valendo-se da fragilidade psíquico-emocional de Vanessa, e da grande influência que sobre esta exercia com suas estórias, convenceu-a, fraudulentamente, de que o fruto daquela concepção era o ‘anticristo’, a encarnação do mal, um demônio que nasceria para destruir o mundo; e, por isso, o concepto deveria ser destruído de qualquer maneira”.

De acordo com a peça da Justiça Pública, “iludida pelas estórias”, Vanessa permitiu que Wlad a submetesse a manobras abortivas, como ingestão de chás de ervas e até mesmo desferindo seguidos socos contra o abdômen dela. No entanto, nada teria funcionado e o bebê nasceu.

Defesa

Wlad argumentou que Vanessa não queria ter o filho e desejava o aborto por não estar mais na companhia do ex-marido. Negou que tenha dado murros nela e que tenha comprado chás abortivos, alegando que, na verdade, teria comprado chá de erva doce e camomila, dizendo à mulher que se tratava de chá abortivo porque ela queria o produto.

Sentença

O juiz José Wagner Parrão Molina afirma em sentença assinada no último dia 25 de junho que “o réu deve ser pronunciado para ser submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, por tentativa de aborto, pois estão presentes os pressupostos do artigo 413 do Código de Processo Penal, ou seja, a existência do crime e indícios suficientes de autoria.”

“O laudo de exame de corpo de delito confirmou a gravidez da vitima, enquanto que a materialidade do crime e os indícios de autoria ficaram confirmados pela prova testemunhal”, completa o magistrado.

Recurso

O advogado de Wlad, Aparecido Gonçalves Ferreira, informa que já recorreu da decisão de mandá-lo a Júri Popular. “Recorremos. Para haver a acusação era preciso fazer um prévio exame para detectar se ela tomou alguma substância abortiva”, diz ele em entrevista ao Portal. Conforme o acompanhamento processual disponibilizado pelo Tribunal de Justiça, o recurso foi protocolado no último dia 2 de agosto.

Vida que segue

Segundo o advogado, hoje com 30 anos Vandeir Máximo da Silva, o Wlad, segue sua vida em Presidente Prudente trabalhando como auxiliar administrativo em uma empresa. “Ele leva uma vida normal. Acabou com essa história de vampirismo. É casado, tem filhos e virou evangélico”, revela.

Foram duas acusações contra Wlad em 2007, essa de tentativa de aborto e uma por aliciamento e lesão corporal a jovens, de quem teria mordido os pescoços. Conforme o advogado Ferreira, a questão com os adolescentes já está resolvida. “Nessa, ele foi sentenciado a fazer doações de cestas básicas para entidades”, cita.

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