Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Galpão da Lua espera 'nova política cultural' em Prudente após CPI

Rogério Mative

Em 28/11/2019 às 11:05

Nos últimos anos, o Galpão da Lua promove atividades gratuitas no espaço externo, após proibição imposta pelo Ministério Público e Prefeitura

(Foto: Arquivo)

Sem espanto. É desta forma que o coletivo cultural Galpão da Lua analisa as denúncias investigadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a prática de assédio moral, coação e abuso de autoridade na Escola Municipal de Artes Jupyra Marcondes, unidade subordinada à Secretaria Municipal de Cultura (Secult).

Responsável em promover atividades gratuitas em Presidente Prudente sem contar com apoio do Poder Público, o grupo de artistas de rua espera surgir uma "nova política" após a finalização dos trabalhos da Câmara Municipal de Presidente Prudente.

"O Galpão da Lua recebe, sem espanto, a denúncia veiculada pela imprensa e que consta no relatório parcial da CPI da Cultura, em que um professor foi ameaçado de perder suas aulas por tocar instrumento em atividade musical em nosso espaço, apesar de fazê-lo em horário fora de sua jornada de trabalho na Escola Jupyra Marcondes", diz a entidade, em nota.

O Galpão da Lua afirma que a entidade foi expulsa do Conselho Municipal de Cultura por meio de "manobra ilegal" realizada pelo secretário municipal de Cultura, José Fábio de Sousa Nougueira. Ele é um dos investigados pela CPI, que apresentou relatório parcial pedindo seu afastamento imediato da Secult.

"Em outros momentos, integrantes do Galpão da Lua já denunciaram publicamente esse tipo de conduta do secretário de Cultura contra nossa entidade, sendo que em uma delas, por manobra ilegal, fomos expulsos do Conselho Municipal de Cultura", pontua.

Para o coletivo, a criação da Rede Municipal de Cultura, anunciada para 2020, como forma de descentralizar as atividades promovidas pela secretaria é "campanha eleitoral" antecipada.

"Já em campanha eleitoral, secretário fala agora da criação de pontos de cultura na cidade junto a associações de bairro e outras entidades, sem, contudo, reconhecer a nossa existência concreta, há anos, como agente de ponto de cultura no Sistema Municipal de Cultura", reclama.

Segundo o Galpão da Lua, Prudente ainda carece de um Plano de Política Cultural. "O Sistema Municipal de Cultura, aliás, nunca passou de peça de propaganda eleitoral e não é por outro motivo que a cidade não tem, até hoje, um Plano de Política Cultural, ônus que ele joga sobre os artistas e fazedores de cultura da cidade", frisa.

"Esperamos que essa CPI tenha resultado concreto contra esses comportamentos de assédio moral, coação e abuso de autoridade e que os fazedores de cultura e a população da nossa cidade sejam futuramente tratados com seriedade pela Secretaria de Cultura na pactuação de um plano que signifique a construção de uma nova política cultural democrática e inclusiva", finaliza.

CPI da Cultura

As denúncias que culminaram com a abertura de CPI partiram do Conselho Municipal de Política Cultural (Comucpp), professores e alunos da escola municipal.

A comissão também avalia o material debatido e exposto em audiência pública realizada no dia 25 de outubro, além de investigar a situação referente às questões relacionadas à descentralização por meio de polos da escola de artes.

A CPI tem até 90 dias para apurar as denúncias.

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