Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Comissão da Verdade pedirá afastamento de Gravina

Delegado de Prudente é apontado como autor de torturas durante ditadura

Da Redação

Em 26/03/2014 às 07:36

A Comissão Municipal da Verdade de São Paulo anunciou, nessa terça-feira (25), que pedirá ao governo paulista o afastamento imediato do delegado da Polícia Civil de Presidente Prudente, Dirceu Gravina. Ele é apontado por militantes de esquerda como autor de torturas durante a ditadura militar.

Gravina desistiu de prestar depoimento à Comissão Municipal da Verdade de São Paulo. O delegado da Polícia Civil chegou a ir à sede da Câmara Municipal de São Paulo, mas mudou de ideia quando deparou-se com a imprensa no local.

Ele atuou no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações de Defesa Interna) entre 1971 e 1972. Segundo militantes de esquerda, ele é a verdadeira identidade de um dos chefes da tortura do destacamento militar, cujo codinome era "JC", de "Jesus Cristo".

Convocação

Em conversa com membros da Comissão da Verdade, Dirceu Gravina afirmou que pensou que o convite era na verdade uma convocação e disse que não esperava a presença da imprensa.

O agente público negou a prática de torturas e disse ter sido vítima tanto da esquerda como da direita durante a ditadura militar. Segundo militantes de esquerda, "Jesus Cristo" usava cabelos compridos, colares e uma medalha com uma cruz, com a inscrição "JC".

"Jesus Cristo era nome genérico. Eles, da esquerda, que me puseram JC, que eu usava um medalhão pirografado na época, que eu era meio hippie e que tinha uma cruz, que era da minha igreja. E que tinha JC. E eles criaram", justifica o delegado da Polícia Civil.

Ação

Desde 2010, o Ministério Público Federal (MPF) move ação civil pública pedindo o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias de três delegados que são acusados de participarem diretamente de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimento forçados e homicídios, em serviço e nas dependências de órgãos da União, durante o regime militar (1964-1985). Entre eles, Gravina.

Gravina foi reconhecido em 2008 por Lenira Machado, uma de suas supostas vítimas, após aparecer em reportagem sobre investigação que o delegado conduzia acerca de um “vampiro” que agia em Prudente e mordia o pescoço de adolescentes. O MPF aponta que, presa por três dias no DOPS, Lenira teve toda a roupa rasgada por Gravina e outros dois policiais quando foi transferida ao Doi/Codi, ficando por 45 dias apenas com um casaco e lenço. (Com Jornal Folha de S. Paulo e Redação)

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