Do UOL
Em 05/11/2010 às 12:28
O antigo Grêmio Barueri deve terminar o primeiro ano em Presidente Prudente na segunda divisão. Depois de um bom Campeonato Paulista e um péssimo Brasileirão, a equipe faz um balanço da mudança e avalia em quê errou em 2010. Procurado pela reportagem do UOL Esporte, o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Walter Sanches, classificou a vinda para o interior como um erro. Ele já havia afirmado isso antes.
“A única coisa que não queríamos era sair do Barueri. Procurei outras cidades e vi Prudente. Eu sabia da condição financeira, social? Não, mas era o que me restava. Achei Prudente uma cidade forte, pesquisei sobre o potencial econômico e fui para lá. Agora, uma coisa é o potencial da cidade e a outra chama-se investimento no futebol. Você não pode acertar toda hora. Erramos e isso vai nos custar a Série B”, disse Walter Sanches.
A situação do Grêmio Prudente é preocupante. O time está na última colocação, com 24 pontos, 12 a menos que Guarani e Atlético-GO, primeiras equipes acima da zona do rebaixamento, com 15 pontos ainda em jogo.
O dirigente, no entanto, disse novamente que não há possibilidade de uma nova mudança de cidade.
O problema, segundo Sanches, passa pela estrutura, mas é, sobretudo, financeiro. Depois de fechar 2009 como 11º do Campeonato Brasileiro, a equipe foi à semifinal do Paulista, perdendo para o futuro vice-campeão Santo André. Só que o clube teve de vender destaques como Marcos Assunção, Tadeu (ambos no Palmeiras), Paulão (que foi para o Grêmio) e Flavinho (Azerbaijão) para fazer caixa e pagar os salários.
“Aqui [na grande São Paulo] nós tínhamos parceiros com investimentos em direitos econômicos. Lá não. Nós tivemos grandes dificuldades em relação a isso. Fizemos um bom Paulista com o caixa que nós tínhamos sobrando. Só que não conseguimos parceiros financeiros para bancar o Brasileirão. Tivemos de vender qualidade e ela é muito importante na Série A”, disse Sanches.
A queixa não é com a Prefeitura de Prudente. Pela lei, não é permitido investir dinheiro público no alto rendimento e o prefeito já deixou isso claro. O problema, para o cartola, é que o empresariado da região não vê o futebol como fonte de renda. A distância de São Paulo (mais de 500 km) ainda afastaria investidores da Capital no clube interiorano.
“Quando você sai 200 km de São Paulo, sai do mercado consumidor. Quando anda 500 km, você inviabiliza quase tudo por causa do pedágio. Eu recebia de sete a oito empresários por jogo. Era coreano, japonês, francês... O cara desembarca em Cumbica, assiste a um jogo e vai embora. Lá em Prudente existe o problema da distância”, explica Sanches.
Todos esses fatores reduziriam o poder de investimento do clube e limitariam a qualidade do elenco. Além disso, o Prudente encontrou problemas estruturais em seu primeiro ano na nova casa. A chegada, apesar de tumultuada, teria até favorecido a equipe.
Segundo Sanches, o elenco ficou mais de 20 dias concentrado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), enquanto o clube viabilizava apartamentos para as famílias dos jogadores. A pré-temporada estruturada no campus foi substituída por treinos em um sítio, contêiner como vestiário e galpão transformado em academia.
“A estrutura de Prudente era absolutamente zero, porque lá não se fazia futebol profissional há 41 anos. Eram condições extremamente amadoras. Aí você vai me perguntar: ‘mas você não viu isso antes? Não, não vi’”, disse Sanches.
Hoje, o dirigente diz que o prognóstico é melhor. Segundo Sanches, um novo CT, bancado pela Prefeitura e que será cedido ao clube posteriormente, deve ser entregue em dezembro. Ele ainda mostra confiança de que os políticos locais o ajudarão na busca por investidores da região.
“A cidade abraçou o time. Até dezembro vamos ter tudo pronto. A base já tem CT e o profissional vai estar completo. Ele [Milton Carlos de Mello, prefeito de Prudente] é receptivo em relação a isso. Só que estava no primeiro ano de mandato, muito novo, e o pessoal não tem esse tipo de perfil. O cara está acostumado a investir em boi, açúcar...”, concluiu.