Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Com mercado aquecido, aumenta qualificação na construção civil

Da Redação

Em 23/07/2010 às 10:57

O boom no setor da construção civil resultou no aumento pela busca de qualificação profissional por parte de trabalhadores que atuam nos canteiros de obras em Presidente Prudente. É o que garantem o diretor geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Sebastião Roberto de Andrade, e o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Luis Gustavo Ribeiro.

Enquanto o dirigente do Senai atribui tal fomento ao “termômetro” medido pelo interesse dessa mão de obra nos cursos, o diretor regional do sindicato garante que novas políticas que têm facilitado a liberação de créditos para construções de habitações provocam o aquecimento do mercado imobiliário.

Na Prefeitura, desde o mês passado, a Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação tem analisado diariamente uma média de 37 processos referentes a projetos de construções.

Levantamento municipal recente revelou que em janeiro de 2010 existiam no município cerca de 20 mil terrenos baldios e 85 mil imóveis construídos, totalizando aproximadamente 105 mil imóveis cadastrados na secretaria. Hoje, ainda segundo o estudo, restam em torno de 17 mil terrenos baldios e diversas construções em andamento, entre residências, comércios e indústrias.

“A urbanização nos quatro cantos da cidade tem provocado uma valorização urbana muito grande”, enaltece o secretário de Planejamento Laércio Alcântara.

Já dados do Sinduscon-SP referentes ao número de trabalhadores do setor apontam que no mês de maio (último número levantando), 3.529 funcionários formais atuavam em canteiros de obras.

O diretor do Senai conta que há algum tempo atrás precisava recorrer a anúncios e à imprensa para divulgar os cinco cursos gratuitos oferecidos na área da construção civil. “Para os quatros cursos segmentados, as turmas são compostas de 16 alunos e vivem completas. O mesmo ocorre no curso de mestre de obras, que diferente destes, tem 32 alunos e uma carga horária de 600 horas”, explica, ressaltando que essa quantidade de horas equivale a um ano de formação.

“A procura referente aos cursos ocorre de acordo com a demanda de mercado. Existem vagas no setor da construção, mas ainda falta qualificação e as pessoas já estão começando a entender isso. Por isso temos tentado e conseguido suprir, por meio dos cursos, essa necessidade qualificar a mão de obra”, acrescenta.

Andrade acredita que o atual cenário deva ser duradouro e constante nos próximos anos. “Quando a procura pelos cursos é pequena, a gente percebe que o mercado está desaquecido. Mas isso não acontece mais. E assim deve continuar. Esse boom, em âmbito nacional, deve durar até 2014, haja vista os investimentos que devem ocorrer na área de infraestrutura urbana por parte dos governos federal, estadual e municipal, em razão das Olimpíadas e da Copa do Mundo que ocorrem no Brasil”, frisa.

O diretor regional do Sinduscon-SP também avalia o cenário como positivo, mas ressalta: “ainda existem alguns problemas que emperram os ‘100%’ no ramo da construção”. Ele cita dois exemplos, além da necessidade de qualificação já exposta pelo diretor do Senai. “A informalidade, que tem sido um dos principais fatores que nos preocupa hoje em razão de muitos estarem se arriscando constantemente sem ao menos terem registro em carteira, é uma delas. Além disso, a falta de equipamentos de segurança. As empresas sérias fornecem, instruem e tentam educar os profissionais quanto aos equipamentos, mas infelizmente ainda há aqueles que resistem porque acham que atrapalham a produtividade do trabalho”, revela. “Mas esse tabu já vem sendo quebrado por alguns empregadores que acham que custam, e pelo próprio trabalhador que acha que atrapalha”, completa.

Sobre o aquecimento do setor, ele considera que além dos grandes investimentos públicos e privados, o crescimento habitacional gerado devido às facilidades do financiamento é o principal segmento que tem aquecido e representado a sustentabilidade da construção civil. “Até dois anos atrás eram as obras de infraestrutura que dominavam o setor, mas de 2009 para cá, com a facilitação na liberação de créditos, o setor manteve-se aquecido em função das obras habitacionais”, encerra.

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