Maycon Morano
Em 06/11/2010 às 08:44
Neste final de semana ocorre o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, em Interlagos, São Paulo. Nele, o espanhol Fernando Alonso pode sagrar-se tricampeão mundial da categoria. Para acompanhar a corrida, prudentinos fanáticos embarcaram para Capital paulista nessa sexta-feira (5).
O mais “experiente” da turma é o contabilista Rodrigo Ananias de Castro, 27 anos, que confere a disputa de perto pela quarta vez. “A primeira foi em 2007. Aí não parei mais. A sensação de estar no autódromo é incrível”, vibra.
Ele também é colecionador de revistas e livros do assunto. “Mas o que mais se destaca nas minhas coisas são meus DVDs. Tenho todas as corridas gravadas desde 1983, todas. Tenho um cômodo do apartamento só para isso”, fala Castro.
Já sua esposa, Beatriz Lopes, 22 anos, vive uma experiência inédita. “Não sei o que esperar. Mas deve ser muito emocionante. Sempre tive vontade, mas nunca fui”, diz. “Desde que o conheci, ele [Rodrigo] já era maluco por corrida. O bonequinho do noivo em nosso bolo de casamento estava sentado em um sofá vendo corrida”, recorda.
O terceiro que acompanha o casal é Rafael Lagisck, 28 anos, encarregado de uma empresa de bebidas em Prudente. “Esta é minha segunda vez. Fui no ano passado e acabei viciando. Creio que irei todos os anos agora”, prevê.
Rodrigo Ananias de Castro fala que dessa vez os três não irão com excursão, como ele sempre fazia. “Acaba saindo o mesmo valor. Gastamos, em média, R$ 800 cada um. A diferença é que eu indo atrás das coisas - passagem, entrada e hospedagem - ficamos em um lugar melhor na pista. Com os outros, ficamos no Setor G, a reta oposta [saída dos boxes]. Agora estaremos no Setor A, na reta dos boxes, onde é dada a largada. A diferença é considerável”, pontua o contabilista.
Questionado sobre sua maior emoção e decepção nestes quatro anos, ele não fica em dúvida: “As duas foram de uma vez só. Com certeza em 2008. Não tem nem o que falar”, afirma, em referência ao dia em que Felipe Massa, brasileiro que corre pela Ferrari, quase conquistou o título em casa, mas na última curva Lewis Hamilton conseguiu uma posição, marcou pontos e se tornou campeão mundial de Fórmula 1.
“Por um momento éramos campeões e, em questões de segundos, ficamos com o vice. De onde estávamos vimos Hamilton conseguir sua ultrapassagem. Foi frustrante. Todos estavam vibrando e ficaram calados, boquiabertos, chorando...”, lamenta Castro.
Campeonato 2010
Ao contrário dos anos anteriores, quando o campeão era conhecido no Brasil, talvez isso não aconteça em 2010. Apenas Fernando Alonso (Ferrari) pode conquistar o título. Ele tem que vencer e ainda torcer por uma combinação de resultados.
Neste ano, Massa, companheiro de equipe do espanhol, abriu passagem para que este vencesse e pudesse se distanciar nos pontos. Sobre a possibilidade do brasileiro novamente ajudar Alonso, o contabilista é contundente. “Agora não tem mais jeito. Já abriu uma vez não tem o que falar agora. Além disso, se for para ele realmente ser campeão, que seja aqui” analisa Castro. “Mas eu torço para [o alemão Mark] Webber”, pondera.
Torcida
No mundo, o que se vê são torcidas para os pilotos e em alguns casos para a escuderia. Entretanto, o prudentino, fanático pelo assunto, esclarece essa divisão. “No Brasil a gente torce para os brasileiros. Na Inglaterra, também torcem para o inglês. Somente na Itália que as pessoas torcem para a equipe [Ferrari]”, pontua Castro.
“Para se ter uma idéia do fanatismo dos italianos, em 1989 Riccardo Patrese, que também é italiano, quebrou seu carro no GP de San Marino, que fica na cidade Ímola, na Itália. Os torcedores locais vibraram com isso, pois o piloto da Ferrari assumiu a posição”, explica o contabilista, dando mostras de seu vasto conhecimento sobre a F1.