Thiago Ferri
Em 03/11/2010 às 13:19
Um grupo de mães de alunos da Escola Municipal Deputado Carlos Castilho Cabral, que fica no Jardim Regina, em Presidente Prudente, cercou e espancou uma tutora infantil da unidade, de 26 anos, na manhã desta quarta-feira (3). Elas acusam a funcionária de molestar sexualmente uma criança de 6 anos, que é deficiente física. A polícia instaurou inquérito para apurar tanto a denúncia de abuso quanto a de agressão.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 7h10 para atender o caso na escola, já que funcionários e até mesmo alunos presenciaram quando um grupo de mulheres aguardava a chegada da tutora no estacionamento. Ao parar sua moto no local, segundo testemunhas, a funcionária da escola passou a ser espancada pelas mães, inclusive com uso de pedaços de paus e pedras. Ela ficou muito ferida e foi encaminhada para o Hospital Regional (HR).
A tutora infantil não é professora, é uma funcionária que acompanha o aluno com algum tipo de necessidade especial e que está incluído na classe regular de ensino.
Segundo a mãe da menina de 6 anos, ela passou a apresentar sangramentos na última segunda-feira (1º). “A médica examinou e disse que tínhamos provas suficientes para colocar essa mulher na cadeia”, afirma.
O pai da criança diz que ela vinha reclamando de dores há três meses. “Tivemos de levá-la na médica e ela relatou que realmente foi abusada. Ela [filha] não queria falar quem tinha sido, mas fomos conversando e ela acabou contando o que essa mulher fazia com ela. Daí nós ficamos revoltados. Não só nós como a comunidade toda aqui, que inclusive resolveu ir lá tirar satisfação”, afirma.
Ele garante não ter participado da agressão. “Eu estava dormindo e só fiquei sabendo depois.” Quando o pai era entrevistado pela Rádio Comercial AM, algumas das mulheres que participaram do ato fizeram questão de confirmá-lo. “Nós arrebentamos ela na pancada, na mão. Batemos nela, nós linchamos ela, porque mulher desse jeito nós temos de linchar mesmo”, disse uma delas. “Demos um monte de soco na cara dela, queríamos deixar uma cicatriz para quando ela olhar no espelho lembrar do que fez”, afirmou outra.
Entretanto, apesar da revolta, ainda não há nada provado em relação à violação, apenas a acusação da família.
Após o episódio da agressão, a PM encaminhou os pais da criança à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Prudente. A menina, que é cadeirante, foi submetida a exame de corpo de delito e a polícia instaurou inquérito para apurar os crimes de estupro de vulnerável e de lesão corporal.
“Todos os envolvidos serão oportunamente ouvidos, exames periciais serão requisitados e, a partir de todas essas provas compiladas no inquérito, ele será concluído e encaminhado à Justiça, que irá avaliar”, informou a delegada da DDM, Daniela Marrey Sanches.
“Ainda não temos o laudo definitivo falando se houve ou não o abuso”, completou a delegada.
Secretaria de Educação
Conforme informações da escola, a tutora infantil trabalhava na unidade há dois meses e até então não havia nenhuma reclamação sobre ela. A Secretaria Municipal da Educação de Presidente Prudente emitiu nota oficial sobre o episódio, informando que enviou supervisor de ensino, assistente social e coordenador pedagógico para a escola, com a finalidade de iniciar a apuração dos fatos.
O diretor da unidade, Silvio Perucci, também foi à Delegacia da Mulher junto com as partes envolvidas e uma equipe da Seduc foi designada para ir ao Hospital Regional falar com a tutora.
“Agora, mediante o inquérito policial instaurado pela Polícia Civil, será aberto o processo administrativo para apurar responsabilidade. Junto à escola, à Secretaria e ao Conselho Tutelar, antes não havia qualquer registro, qualquer tipo de informação, qualquer reclamação que ensejasse a abertura do processo administrativo”, afirma a secretária Ondina Barbosa Gerbasi na nota.