Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Políticos da região e especialistas defendem o voto distrital

Maycon Morano

Em 05/10/2010 às 09:04

Durante as eleições desse domingo, 13 candidatos da região concorreram para o cargo de deputado estadual, enquanto cinco para federal. Entretanto, apenas três conquistaram vagas, todos para a Assembleia Legislativa: Mauro Bragato (PSDB), Ed Thomas (PSB) e Reinado Alguz (PV). Uma solução para o problema de, às vezes, não ter representantes da região no Estado ou na Câmara Federal seria a implantação do voto distrital, apoiada por políticos e especialistas da área.

O deputado Bragato, que vai para seu oitavo mandato, disse que teve de mudar sua estratgeia de campanha por causa da concorrência. “Nessa eleição já tive de fazer um trabalho não só distrital, mas pelo Estado todo. Isso porque infelizmente a legislação não mudou. Eu defendo o voto distrital. Acho que é melhor para a região”, critica.

Ele também fala sobre a população que vota em pessoas de fora. “O voto distrital deve ser implantado logo, sob pena de nas próximas eleições termos uma situação catastrófica, vide o caso do Tiririca [PR].” O candidato do Partido da República, que obteve recorde de votos em São Paulo com 1,35 milhões, obteve a quarta maior votação em Prudente, com 6.018 votos.

Confira aqui se você conhece os candidatos que os prudentinos votaram

O deputado Ed Thomas, que segue para seu segundo mandato a partir de 2011, defende a reforma política no Brasil. “Vou trabalhar para a implantação do voto distrital. É muito melhor para a região, mesmo porque não temos votos para todo mundo com esses candidatos que vêm de fora”, diz.

Candidato a deputado federal mais votado em Presidente Prudente, Paulo Lima (PMDB) também concorda com Ed. “Sou a favor do voto local, do voto distrital. Seja ele misto ou puro”, declara.

A vereadora Alba Lucena, que se candidatou a deputada estadual pela primeira vez, concorda com seus colegas. “Com o voto distrital os eleitores vão escolher as pessoas que vão olhar para a região, então isso é importante”, esclarece.

O prefeito Milton Carlos de Mello (Tupã, do PTB) destaca que seria importante a própria população se preocupar em votar em candidatos da região. “Duvido que os de fora irão ligar na Prefeitura e perguntar o que a região precisa. Quando é daqui, o deputado busca sempre fazer algo”, afirma.

Especialistas

No início da campanha para as eleições deste ano, o Portal ouviu especialistas políticos que afirmaram que a região, com cenário inchado de candidatos, poderia ficar sem nenhum eleito. Contudo, os estudiosos também apontaram o voto distrital como solução.

O professor do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor José Carlos Martines Belieiro Junior, disse que o “problema” tem relação com o atual sistema eleitoral brasileiro. “O ideal seria que tivéssemos voto distrital. Assim o candidato não iria pedir voto no Estado inteiro, apenas na região de seu domicílio eleitoral. Isso delimita a disputa para dentro da região, o que é bom para a população local”, explicou.

Na mesma linha, o cientista político do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (Ipol/UnB), José Alvez Donizeth, especialista na área por El Colégio de México, também defende uma reforma política no Brasil. “O ideal seria que o voto fosse distrital, já implantado em vários países, como na Inglaterra, que possui um sistema parlamentarista, é chamado de voto [distrital] puro. Ou então igual ao da Alemanha, que possui o voto [distrital] misto, no qual o candidato tem uma segunda chance em outro distrito caso não vença dentro do seu”, expõe.

Voto distrital

O sistema do Voto Distrital Misto foi criado na Alemanha, logo depois da II Guerra Mundial. Neste, metade das vagas é distribuída pela regra proporcional e a outra metade, pelo sistema distrital. O eleitor tem dois votos para cada cargo: um para a lista proporcional (lista fechada) e outro para a disputa em seu distrito.

Na maioria dos países, adota-se o voto distrital. O país ou o estado é dividido em distritos eleitorais: regiões com aproximadamente a mesma população. Cada distrito elege um deputado e, assim, completam-se as vagas no parlamento e nas assembléias legislativas. Dentro do sistema do voto distrital, a eleição pode ser feita pelo processo de maioria absoluta ou não, ou seja, pode haver vários candidatos no distrito e será eleito o mais votado ou pode-se exigir a maioria absoluta: depois da eleição, os dois mais votados disputam em um segundo turno.

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