Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Unidades de saúde de Prudente enfrentam falta de pediatra

Carlos Hideki

Em 09/10/2010 às 11:07

A Prefeitura de Presidente Prudente cancelou o edital para a contratação de 42 médicos porque apenas um pediatra se inscreveu para as 20 vagas disponíveis. A cidade já enfrenta a falta de especialistas na área e algumas unidades de saúde não contam com os profissionais no atendimento. Para solucionar a questão, um novo processo seletivo será realizado para a contratação de 42 socorristas, que farão tanto o atendimento adulto quanto o infantil.

“A adesão para pediatra foi baixa e não poderíamos fazer um concurso assim. Esse é um problema que enfrenta o País inteiro e para solucionar vamos mudar a maneira de atendimento com a contratação de socorristas”, afirma o secretário de Saúde, Sérgio Cordeiro. Ele explica que o socorrista tem formação generalista e experiência em plantões.

O secretário conta que ainda não foi definida a data do novo concurso. “Tivemos que tomar as decisões em cima da hora. Vamos soltar o edital na semana que vem, provavelmente as inscrições começam na quarta-feira ou quinta-feira”, comenta.

O profissional contratado receberá o salário de R$ 1.235,00 para 24 horas semanais de plantão. “O valor é corresponde ao que os municípios da região pagam para os médicos”, diz Cordeiro.

De acordo com o secretário, estão faltando médicos pediatras em Presidente Prudente. “Desde o início desta gestão já foram realizados três processos seletivos para a contratação de pediatras e sempre a adesão foi baixa, mas nunca como agora”, lembra.

“Faltam médicos pediatras em muitas unidades, por isso tomamos essa atitude de criar um processo seletivo no meio das eleições”, diz Cordeiro. Ele conta que faltam especialistas em praticamente todas as unidades de saúde do município.

Para o conselheiro responsável pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), Henrique Liberato Salvador, apenas um pediatra se candidatar para a vaga é reflexo da pequena quantidade de profissionais que se especializam nessa área.

“Na verdade, são poucos que se especializam nessa área e esses poucos o mercado absorve rapidamente. Ultimamente, quem está se formando não acha essa área atrativa e prefere outras, como neurologia, oftalmologia e ortopedia”, comenta.

Sobre o salário oferecido pela Prefeitura, o conselheiro diz que é o mesmo para todas as especialidades e nem poderia ser diferente somente para atrair os pediatras “Na verdade, todo serviço público paga mal. Os poucos residentes vão preferir atender em outros serviços que pagam mais”, afirma.

“A Prefeitura talvez terá que usar o modelo de terceirizar a contratação para pagar mais”, comenta Salvador. Segundo ele, nesse modelo uma organização social assume a pediatria e paga o salário. “Uma medida seria procurar o Hospital Regional e oferecer uma verba para que eles contratem os pediatras da rede pública”, explica.

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