| Presidente Prudente/SP

Polêmico, Agripino Lima teve vida política marcada por embates

ROGÉRIO MATIVE

Em 07/03/2018 às 15:36

Em 2002, Agripino Lima impediu a marcha de 3 mil sem-terras liderados por José Rainha Júnior.

(Foto: Arquivo/João Wainer/Folhapress)

Prefeito por três mandatos, vereador por duas legislaturas, deputado federal e estadual, além de ex-parlamentar constituinte. Agripino de Oliveira Lima Filho teve sua vida política marcada por grandes embates. Brigas, rodovia fechada, ameaças contra estatal estão no currículo do ex-prefeito de Presidente Prudente, que também é lembrado por construções de igrejas, hospital e um dos maiores polos universitários do país.

Sua história na política teve início em 1972, quando elegeu-se vereador pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Empossado em fevereiro de 1973, cumpriu o mandato até o final da legislatura, em janeiro de 1977. Foi reeleito vereador em novembro de 1976. Após três anos, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS).

Nas eleições de 1982, Agripino Lima concorreu à Prefeitura de Presidente Prudente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), porém, sem sucesso. Voltou a ter êxito no pleito de novembro de 1986, elegendo-se deputado federal constituinte pelo Partido da Frente Liberal (PFL). Apresentou 132 emendas tendo 51 aprovadas.

Nas votações mais importantes, pronunciou-se contra o rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, a pena de morte, a limitação do direito de propriedade privada, o aborto. Manifestou seu voto favorável nas questões do aviso prévio proporcional, da pluralidade sindical, do presidencialismo, da nacionalização do subsolo, do limite de 12% ao ano para os juros reais, da proibição do comércio de sangue e do mandato de cinco anos para o presidente da República.

Não concorrendo à reeleição em 1990, deixou a Câmara dos Deputados em janeiro do ano seguinte. Em outubro de 1992, foi eleito prefeito de Presidente Prudente pelo PFL, assumindo o mandato em janeiro seguinte sob o slogan “O povo no poder”. Antes, foi vice-prefeito no mandato de Paulo Constantino, que mais tarde tornaria-se seu desafeto político.

O primeiro mandato foi considerado o mais polêmico, sendo marcado pela intervenção na empresa Transporte Coletivo Brasília e, consecutivamente, sua falência; o encerramento do contrato com a Pioneira, responsável pela limpeza pública; greves de servidores municipais e embates calorosos com vereadores de oposição. No primeiro dia de sua gestão, pediu que retirassem as portas do seu gabinete.

Ao deixar a cadeira do Executivo, Agripino apoiou Chiquinho Galindo como seu sucessor. Porém, na última semana, viu seu candidato ser derrotado pelo ex-deputado estadual Mauro Bragato, que comandaria a Prefeitura de Prudente pela primeira vez.

Em 1998, candidatou-se a uma cadeira na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), sendo o mais votado do PFL, com quase 100 mil votos. Depois de eleito, retornou para a legenda do PTB.

No ano seguinte, em outubro, foi eleito prefeito e renunciou ao mandato de deputado estadual. Empossado em 2001, Agripino Lima teve o segundo mandato marcado por duras críticas ao antecessor Mauro Bragato, que resultou em ações judiciais. Com salários de servidores atrasados há seis meses e prédios públicos sem telefone e energia, o ex-prefeito teve sucesso ao conseguir sanar as dívidas nos primeiros meses.

No início do seu mandato, o ex-prefeito rompeu contrato com a Sabesp, sob alegação de quebra de compromisso pela empresa, anunciando encampação dos serviços de água e esgoto pela Prefeitura em campanha no rádio e TV que a população poderia utilizar os serviços do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Por isso, Agripino Lima Filho teve que pagar mais de R$ 39 mil em condenação judicial. Em 12 de janeiro, ele “invadiu” o prédio da companhia com assessores.

Em 2002, impediu a marcha de 3 mil sem-terras liderados por José Rainha Júnior. A Procuradoria da República instaurou inquérito contra Agripino Lima por ter bloqueado a estrada. A ação do ex-prefeito foi destaque nacional em todos os jornais e TVs.

Em outubro de 2004 foi reeleito como prefeito com mais de 62.000 votos. Foi o primeiro a ocupar o cargo por três mandatos por meio do voto popular. Pela terceira vez na chefia do Executivo, ele protagonizou atritos efervescentes com vereadores.

O primeiro foi com o então presidente da Câmara Municipal, Ed Thomas - hoje, deputado estadual -, quando foi até uma emissora de rádio tirar satisfação com o parlamentar. No mesmo mês, danificou o carro do ex-vereador José Rocha Sobrinho (PT, falecido em 2017), que estava estacionado na vaga destinada ao prefeito. Naquele mandato, Rocha foi um dos maiores opositores no Legislativo.

Em 2007, Agripino Lima foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) a ressarcir os cofres do município por ter adquirido sem licitação aparelhos para a montagem de um planetário na Cidade da Criança. Ele teve seus direitos políticos cassados por cinco anos após sua defesa esquecer de protocolar recurso.

Em acordo com a determinação de um artigo da Lei Orgânica Municipal (LOM), que determinava que o prefeito que perdesse seus direitos políticos durante o mandato deveria ser destituído, a Mesa Diretora da Câmara Municipal declarou a vacância do cargo após uma reunião feita em um hotel da cidade.

O vice, Carlos Roberto Biancardi, assumiu o cargo. Agripino recorreu, mas perdeu no TJ-SP. Em novembro de 2007, através da iniciativa do então vereador Nico Rena, a Câmara Municipal aprovou o Decreto Legislativo 392/07, que anulou a declaração de vacância do cargo e Agripino Lima reassumiu a função, mas por apenas 24 horas, uma vez que foi apresentado um mandado de segurança que anulava o tal decreto. Agripino Lima novamente recorreu e perdeu.

Em 2012, Agripino Lima chegou a disputar as eleições municipais. Porém, com direitos políticos cassados, seguiu no pleito amparado por liminares. Os votos de Agripino Lima não foram computados, porém totalizaram, 28.933. Na ocasião, Milton Carlos de Mello (Tupã), seu afilhado político, foi reeleito para o segundo mandato com 59.437 mil votos.

Sua última participação ativa na política foi em 2016, quando concorreu à Prefeitura de Prudente pelo PMDB. Na ocasião, somou 30.224 votos, ou seja, 26,81% do eleitorado. Ele ficou na terceira posição atrás de Fábio Sato (PPS), com 32.175 votos, e Nelson Bugalho (PTB), eleito com 33.209 votos, na disputa eleitoral que entrou para a história como uma das mais acirradas.

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