Grupo tenta adentrar no pátio do instituto em Prudente para apresentar reivindicações
Paulo Fernandes
Em 11/03/2010 às 11:54
Cerca de 60 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Pontal do Paranapanema realizam na manhã desta quinta-feira (11) uma manifestação em frente ao escritório do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) em Presidente Prudente. O grupo tenta entrar no local para apresentar suas reivindicações sobre infraestrutura nos acampamentos e assentamentos.
A ação tem como objetivo lembrar o Dia Internacional da Mulher, comemorado na última segunda-feira (8), “protestando contra a reforma agrária no Estado de São Paulo”, segundo a assentada em Mirante do Paranapanema e membro da direção regional do MST há 18 anos, Maria Aparecida Gonçalves. “Esta atividade de hoje é contra a criminalização dos movimentos sociais e contra os avanços do agronegócio nas terras devolutas do Pontal”, afirma.
“Também estamos reivindicando infraestrutura básica nos assentamentos da região, como educação, transporte e saúde, pois a maioria dos PSFs [Programa Saúde da Família] estão fechados por falta de médico e equipamentos”, declara Maria Aparecida.
A vereadora de Mirante do Paranapanema e moradora do assentamento Antônio Conselheiro, próximo ao município, Maria Aparecida Pereira de Oliveira (PV), diz que a falta de condições básicas dificulta a sobrevivência nos assentamentos da região. “Estamos esquecidos”, afirma ela. “Não temos médicos no nosso assentamento, não temos ambulância e nem recursos para ir do assentamento a Mirante levar ao menos uma pessoa gestante ou doente.”
De acordo com a representante do grupo, o crédito habitação para os assentados também é alvo de reivindicação. Ela adianta que a manifestação é para pressionar o governo do Estado a entrar com o pedido de tutela antecipada das áreas já ganhas na Justiça. “Temos várias áreas no Pontal para serem julgadas, ou seja, mais da metade são devolutas e o governo não se posiciona”, cita.
Conforme Maria Aparecida, as reivindicações serão protocoladas no Itesp e conduzidas até São Paulo e o fim da manifestação se dará no momento em que as mulheres assentadas receberem uma resposta oficial do governo. “Vamos esperar algo no papel, concreto. Estamos cansados de ter só palavras.”
O coordenador regional do Itesp, Marco Túlio Vanalli, diz que o órgão está disposto a ouvir as reivindicações e dentro de suas limitações colaborar para atender os anseios dos assentados. “Fomos pegos de surpresa com esta manifestação. Mas já me coloquei a disposição. As assentadas querem que todo o grupo entre no instituto, mas por medida de segurança delimitei que apenas no máximo seis membros venham negociar”, diz.
Segundo a Polícia Militar, cerca de 60 mulheres estão no local. Para manter a segurança a PM direcionou um efetivo da força tática e um ordinário diário. “A manifestação está sendo pacífica. Até o momento não foi registrada nenhuma ocorrência. A polícia está no local apenas para garantir a segurança de todos”, comenta a tenente da Policia Militar de Presidente Prudente, Silvia Andréia Mantoani Pinto.
No fim desta manhã, representantes do Itesp e das assentadas iniciaram uma reunião para anunciar as reivindicações.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Portal Prudentino.
