Da Redação
Em 19/03/2010 às 15:54
Contratado para ser o técnico do Grêmio Prudente no restante do Campeonato Paulista, no Brasileiro e na Copa Sul-Americana, Toninho Cecílio chegou há dez dias e já vive o clima de decisão no clube. Com chances de classificação para as semifinais do Paulistão, ele fala deste novo desafio na carreira, após participar da diretoria do Palmeiras como gerente de futebol.
Como jogador, se formou e atuou por dez anos no Palestra Itália, sendo um dos titulares da zaga desde 1987. Em 1990 chegou à Seleção Brasileira com o técnico Paulo Roberto Falcão. Jogou em clubes como Botafogo, Cruzeiro, Cereza Osaka (Japão), Curitiba e times do interior de São Paulo. Como técnico já dirigiu Paraguaçuense e Guaratinguetá.
Veja a entrevista completa com Toninho Cecílio.
Como você vê esse novo desafio na carreira, voltar a ser técnico de futebol, principalmente no momento em que o Grêmio Prudente vive, de mudança de sede e nome?
Toninho Cecílio - Como uma grande oportunidade. Chegar em momento de mudanças estruturais sempre é um desafio maior que nos ensina sobre resignação, comprometimento e companheirismo. Além dessas mudanças o grupo de atletas também foi muito alterado em relação a 2009. Uma nova equipe está ainda em processo de construção.
Como técnico, este é seu maior desafio?
TC – Sim. O Grêmio irá disputar as melhores competições do continente: Campeonato Paulista, Brasileiro e Copa Sul-Americana, exceção à Libertadores.
Como a experiência em um clube grande como o Palmeiras, em que você foi gerente de futebol, pode ajudar no comando do Grêmio Prudente?
TC - Sendo o treinador do Grêmio o que mais me será útil deverá ser a convivência que tive com dois dos melhores treinadores do Brasil. Wanderley Luxemburgo e Muricy Ramalho. Algo que é muito diferente é o ambiente competitivo que se respira em uma equipe como o Palmeiras. O ritmo nas tomadas de decisão, a velocidade do trabalho e o nível de cobrança externa. Por ter me formado nas categorias de base do Palmeiras aprendi a conviver com esse ambiente muito cedo. Você é submetido a um nível de exigência altíssimo, ainda muito jovem. Isso carrego comigo até hoje. Enfim, a mentalidade extremamente competitiva junto a um planejamento meticuloso. Essas são as duas mais importantes características que trago do trabalho do Palmeiras.
Qual a diferença entre o Toninho Cecílio gerente de futebol e o Toninho Cecílio técnico?
TC - Minha atenção será direcionada exclusivamente para a gestão da equipe. O gerente administra todo o Departamento de Futebol. Um treinador, acima de tudo, dever ser um líder que organiza, treina e coordena um grupo de homens e faz, esse mesmo grupo preparar-se para enfrentar e ultrapassar os mais difíceis desafios. O gerente também tem o papel de líder, pois é ele quem organiza todo o Departamento de Futebol de um clube. No entanto, é obrigado a cuidar de vários aspectos burocráticos e administrativos. O treinador trabalha muito mais no campo e próximo do grupo de atletas.
E a relação com jogadores e comissão técnica do Grêmio, como está depois de um pouco mais de uma semana de trabalho?
TC - Excelente. Fui extremamente bem recebido por todos. Sou uma pessoa que se adapta rapidamente a um novo ambiente de trabalho. Nunca tive dificuldades com isso. Desde a primeira reunião já deixei claro que os objetivos do clube são soberanos e que teríamos que nos adequar rapidamente ao momento de transição e buscar a vitória em Jundiaí [no último sábado, dia 13, contra o Paulista]. A Comissão Técnica do clube tem me municiado de informações importantíssimas neste início de trabalho o que me permitiu fazer uma leitura rápida do atual estágio técnico e físico do elenco. Essa leitura é imprescindível para que possa tomar decisões inclusive no aspecto tático e me dê instrumentos para avaliar até onde posso exigir do grupo.
O que está achando da cidade de Presidente Prudente?
TC - Acolhedora, funcional e organizada. Estive várias vezes com o Palmeiras na cidade e tenho um irmão e sobrinho que vivem aqui.
Você já declarou que prefere seu time jogando no 4-4-2. E, inclusive, em seu primeiro jogo como técnico do Grêmio adotou esta formação. Você faz parte dos técnicos que acredita que os times brasileiros perdem sua principal característica (o ataque) atuando com três zagueiros? Ou o time precisa ser montado de acordo com as peças disponíveis?
TC - É um erro achar que quando um treinador escala três zagueiros a equipe fica mais defensiva. Grande erro. Muitas vezes ela se torna até mais ofensiva. Tenho preferência pelo 4-4-2 porque ele permite uma ocupação melhor do meio de campo e acho que uma partida é decidida naquele setor. Um segundo ponto é: o sistema 4-4-2 permite uma variação grande dentro do próprio esquema dando ao treinador uma versatilidade interessante para utilização durante as partidas. Pode se formar um 4-3-2-1, 4-2-3-1, 4-3-3 etc. Enfim, é um sistema de jogo que preenche melhor os setores do campo. Também são consideradas as características dos atletas que o treinador tem no grupo. É muito importante construir um elenco que viabilize a utilização de vários sistemas de jogo.
Quando chegou ao Grêmio você disse que o objetivo era o G-4. Os matemáticos dão 5% de chances de classificação para o Grêmio. Você acredita ser possível?
TC – Acredito, pois temos confronto direto com duas equipes que estão à nossa frente. Corinthians e Portuguesa. Ou seja, temos quatro equipes que nos separam do G4 e jogaremos contra duas delas. É difícil, mas tenho que preparar o grupo de atletas para gostar do "difícil", se preparar para a "dor", pois o momento exige sacrifício e entrega acima do normal. Qualidade técnica existe no grupo.
O próximo adversário do Grêmio é o Corinthians, um concorrente direto na luta por um lugar no G-4. Você acredita que esta será uma decisão para o Grêmio? Jogo de seis pontos?
TC - A primeira das cinco decisões. De nada adiantará vencer o Corinthians e perder para o Mogi na próxima rodada. Temos que ser fortes nesse momento. Saber vencer cada etapa dessa reta final. É muito importante que o grupo saiba lidar com a ansiedade e encontre o equilíbrio em ser “agressivo” sem se desorganizar.
Quais sãos suas referências como técnico?
TC - Enio Andrade, Telê Santana e Wanderley Luxemburgo. Fui atleta dos dois primeiros e dirigente com Luxemburgo. Menciono os três que mais me marcaram, mas tenho um perfil muito observador e todos os treinadores me ensinaram algo importante. Também acompanho muito o trabalho do José Mourinho, da Inter de Milão. Admiro a sua organização, entrega e liderança. Leio tudo que posso sobre ele. Tenho gostado muito do trabalho do Dunga na Seleção Brasileira. Soube se impor, aplicou a sua filosofia de trabalho e teve frieza e confiança em esperar os resultados. Hoje temos uma Seleção Brasileira com um espírito de competição muito maior que em 2006.
Para fechar, qual a mensagem que você deixa para a população de Prudente, a torcida do Grêmio?
TC - O Grêmio precisa muito do apoio de todos. Iremos tentar fazer a nossa parte, conquistando vitórias, enfrentando grandes adversários e apresentando uma equipe sempre aguerrida. Peço a presença cada vez maior da torcida no estádio, incentivando e acreditando nesse projeto que envolve a população, a cidade e o Grêmio Prudente. Obrigado pelo apoio que já nos foi dado até o momento. Esperamos retribuir cada vez mais. (Com assessoria de imprensa)