Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Agente de combate à endemia critica números da dengue de Prudente

Adauto Severino da Silva

Em 17/04/2010 às 11:13

Temos visto que a dengue provoca muito outros estragos além do dano à saúde da população e nas finanças públicas. Sabemos do mal que causa ao organismo humano e do volume de recursos financeiros utilizados em todos os níveis de governo, federal, estadual e municipal. Porém, na última semana refleti muito sobre estes outros estragos que ela pode provocar.

Podemos começar a pensar sobre os números apresentados pelo Ministério da Saúde e seus reflexos práticos; no final do ano passado estávamos com Índice Bretau (IB), um índice para se levar em conta o grau de infestação do mosquito Aedes, no nível 9, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que o aceitável é 1. Com isto Presidente Prudente foi considerada um dos 6 municípios do Brasil com maior probabilidade de desencadear uma epidemia de grandes vultos, pois bem, municípios que apresentaram IB inferior, como São José do Rio Preto, hoje convive com mais de 8.000 casos de dengue.

Estranhamente Prudente apresenta menos de 150 casos confirmados. Questionamos então, o IB representaria de fato um índice de riscos? Os Aedes de Prudente seriam de uma espécie ou sub-espécie resistente à contaminação pelo vírus? Ou os que aqui residem teriam adquirido uma resistência diferenciado do restante dos demais humanos ao vírus? A resposta para estas dúvidas ficam é claro para os respectivos especialistas, mas me dei ao luxo de imaginar nossa cidade jogando por terra o trabalho de técnicos especializados no assunto que definiram o IB como parâmetro para a questão, em se considerando a primeira situação. Para o segundo questionamento, Prudente colaborando com o resto do planeta que convive com a terrível dengue, exportando espécimes de Aedes resistentes; finalmente no terceiro, pesquisadores de grandes e renomadas instituições por aqui pesquisando o ar, alimento da população, e até a água da Sabesp, motivo esta de tantas discussões.

Qual seria a finalidade da informação à população dos números relativos aos casos positivos da doença? Seria somente demonstrar o quanto estamos expostos a novas infecções? Então vamos refletir... Os casos ditos importados, em algumas situações, também não oferecem riscos?

Pois bem, neste momento me surgiu nova dúvida; será que como a dengue é causada por um vírus, nós quando procuramos assistência médica nos postos de saúde e recebemos a informação que estamos com "virose", não poderíamos estar na realidade com dengue? E assim com a realização de exames mais minuciosos, laboratoriais, não elevariam estes números de notificação compulsória para um patamar bem mais elevado? Também aqui uma resposta a ser fornecida por especialistas.

É, os estragos podem ser grandes quando relacionados a qualquer uma das questões acima. Mas quando focamos o noticiário da imprensa falada, escrita e televisionada percebemos que estes foram ocasionados também em outras direções. No trabalho a campo, nós, agentes de combate as endemias (ACEs), até dezembro de 2009 encontrávamos para cada 100 imóveis que não conseguíamos adentrar somente no máximo 5 em que os moradores se recusavam a permitir a realização de nosso trabalhos, nos demais imóveis em quase sua totalidade o trabalho não ocorria devido a ausência temporária dos moradores. Devido a este fato, em fevereiro de 2009, os ACEs fizeram um manifesto ao senhor Prefeito Municipal, alertando-o para os riscos que poderiam ocorrer caso se permanecesse na mesmice de anos após anos, e sugerindo mudanças na metodologia de trabalho, incluindo ai flexibilidade de horário, tal como ocorre com vários outros setores de fiscalização municipal, pois aí então poderíamos diminuir e muito o índice de imóveis fechados (pendência), este manifesto teve o parecer favorável do jurídico da Prefeitura, mas estranhamente foi ARQUIVADO.

O estrago em questão é de que o conhecimento adquirido pelo convívio diário do ACEs junto com a população, levantando fatos concretos para a melhoria continuada do serviço realizada pela equipe, pois o grande enfoque do momento é convocar Ministério Público e polícia. Isto provavelmente pode ter ocorrido porque a dengue causou estragos entre as palavras dos ACEs e os ouvidos do senhor Secretário Municipal de Saúde e do senhor Prefeito Municipal.

Mas a dengue não é tão poderosa assim, pois uma coisa que aparentemente ocorre é que certas barricadas de proteção construídas ao redor de determinadas pessoas as blindam contra os ESTRAGOS deste mal.

Adauto Severino da Silva - Cidadão prudentino e agente de combate às endemias

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