Davison de Lucas*
Em 09/11/2009 às 14:07
Sem sombra de dúvida o sofrimento é um grande agente de transformação. Por volta de 1978, um amigo que esteve no Japão mostrou-me fotos de pessoas gripadas, na cidade de Tókio, protegendo o nariz e a boca com lenço, visando não contaminar o próximo.
No início da década de 1990, o Banco Central japonês já dispunha de equipamento de limpeza de dinheiro, que aquece as cédulas o suficiente para eliminar bactérias e reveste-as com fina película antigerme.
Essa obsessão pela higiene não veio de graça. Surgiu após o Japão vivenciar uma contaminação de grande proporção em sua população.
No início da década de 1980, atuando como engenheiro, tive o privilégio de implementar algumas ferramentas da Qualidade Total, dentre elas o famoso 5S (descarte, organização, limpeza, higiene e disciplina). Certos cuidados básicos de higiene sugeridos pelo programa eram vistos como “exageros”.
Era compreensível esse tipo de reação, considerando que a idéia sem vivência e sofrimento é inconsistente e superficial.
Em 2000, a revista Veja, edição de junho, já havia antecipado evidências dessa gripe, hoje apelidada de “suína”.
Lembro-me de um amigo consultor, residente na cidade de São Paulo, confidenciar, por volta de 1999, um sentimento de decepção ao auditar um respeitadíssimo hospital da capital paulistana e constatar que a maioria dos médicos não tomava banho ao entrar para trabalhar, bem como não tomava banho ao sair do hospital, conforme mandava o regulamento. E, para sua surpresa maior: detectou porcentagem elevada de doutores que não lavava as mãos ao sair de banheiro.
Na época os supermercados, de maneira geral, eram nojentos. Deixavam a desejar em questões básicas de limpeza e higiene.
Na seqüência histórica veio o ápice da “Aids”, que matou e ainda mata pessoas desprevenidas.
Veio também a “dengue” e outras mais facilmente controladas.
Esses vírus provocam dor. A dor, por sua vez, incomoda, desperta atenção elevada e provoca mudanças.
O grande problema é percebê-la a tempo. Indiscutivelmente a Natureza faz a sua parte: avisa com muita antecedência a chegada da dor, visando à prevenção. Mas o ser humano na sua correria contínua e crescente não tem tempo para olhar os detalhes e deixa a desejar na percepção.
É sabido que a mudança é para melhor, quando tem necessidade de esforço. É uma pena quando esse esforço é apenas corretivo e não preventivo. Um dos meus grandes desejos é ver o planeta menos ansioso e mais preventivo.
* Davison de Lucas é diretor da M.Davison & associados, consultor organizacional e palestrante
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