Do UOL
Em 27/03/2010 às 08:59
O Tribunal do Júri do Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, condenou no início da madrugada deste sábado (27) Alexandre Nardoni, 31 anos, e Anna Carolina Jatobá, 26 anos, pelo assassinato de Isabella Nardoni, morta aos 5 anos de idade, ao ser atirada pela janela do 6º andar do apartamento onde vivia o pai e a madrasta. No total, Nardoni foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão e Jatobá a 26 anos e oito meses, ambos em regime fechado. A defesa anunciou que já recorreu da decisão.
Os jurados – quatro mulheres e três homens – entenderam que os réus cometeram homicídio triplamente qualificado, por usarem meio cruel (asfixia), dificultarem a defesa da vítima, que foi arremessada pela janela inconsciente, e terem cometido um crime para encobrir outro, o que haviam feito no apartamento. A pena de Alexandre foi aumentada em um sexto porque ele cometeu o crime contra a própria filha e por ter se omitido na condição de pai. Também pesou um agravante contra ambos: a menina ter menos de 14 anos de idade.
Soma-se a essa pena a condenação por mais um crime, oito meses e 24 dias-multa por fraude processual, pelo fato de o casal ter alterado o local do crime com o intuito de enganar as autoridades. O placar da condenação, sob o Código Penal, é sigiloso e não foi divulgado.
Reação do casal e fogos
Ambos estavam algemados durante a leitura da sentença. Nardoni recebeu a pena de forma impassível e Jatobá, chorou. Já a família materna de Isabella ficou de mãos dadas. No momento em que o juiz pronunciou a palavra "culpados", os gritos de uma multidão que escutava a transmissão do áudio da sentença chocou os presentes na sala do júri.
O veredicto foi comemorado com coro de pedidos por justiça pela multidão. Alguns manifestantes chegaram a soltar fogos de artifício, também ouvidos da sala.
Logo depois do término da leitura da sentença, o casal retornou, em camburões diferentes, para o presídio de Tremembé, no interior paulista, onde já estavam havia quase dois anos. Eles chegaram ao local por volta das 3h da manhã deste sábado. Esse período será contado como cumprido da sentença definida pelo juiz. Os veículos foram perseguidos pelos populares, aos gritos de "assassinos".
Muito aplaudido após uma sentença, o promotor Francisco Cembranelli foi recebido como herói em frente ao fórum. Ele agradeceu ao público com um sinal positivo, mas evitou cantar vitória, e elogiou o advogado do casal, Roberto Podval, a quem chamou de profissional competente. Antes, Podval havia anunciado que não concederia entrevista. “O brilho da noite é do Dr. Cembranelli, e a defesa já recorreu”, informou o defensor por meio da assessoria de imprensa do tribunal.
Mais sobre o júri
O julgamento teve início na segunda-feira (22) e durou cinco dias. O casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008. No dia mais tenso, o casal alegou inocência e chorou diante dos jurados. A derradeira sessão começou com os argumentos do promotor Francisco Cembranelli. Ele afirmou que o casal Nardoni estava no apartamento quando a menina Isabella foi atirada. Segundo ele, a perícia demonstra que "os Nardonis são mentirosos" e não conseguem contestar provas técnicas.
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