Thiago Ferri
Em 08/06/2010 às 14:40
Em abril, foram concluídos os trabalhos da Comissão Especial de Investigação (CEI) criada pela Câmara para apurar as denúncias. O relatório final apontou que “há sérios indícios da prática de infração político-administrativa por parte do prefeito”.
Com isso, o Legislativo votou então a criação de uma Comissão Processante para prosseguir com as apurações por meio de ritos jurídicos, como oitivas prazos de defesa e arrolamento de testemunhas. A CP tem prazo de 90 dias para concluir os trabalhos e apresentar relatório final opinando pela cassação ou arquivamento da denúncia que pede cassação do prefeito. A decisão final será votada em plenário.
Nessa segunda-feira já foram definidos inclusive os integrantes da Comissão Processante: Flávio de Carvalho (PTB) é o presidente; João da Luz (PSDB), o relator; e Orivaldo Fatinansi (PV), o membro.
Eles se reúnem na quarta-feira (9) para elaborar a notificação ao prefeito Odair Silis, que terá dez dias para apresentar defesa prévia, por escrito.
Em seguida, após a fase de instrução, a comissão processante emitirá parecer final, pela procedência ou improcedência da acusação. Se prosperar, há prazo para a defesa de mérito e, na sequência, o julgamento, com votação nominal por parte dos vereadores.
Para o prefeito ser afastado definitivamente do cargo é necessário dois terços dos votos da Casa. Após isso, o presidente da Câmara expedirá decreto legislativo de cassação do mandato. Já se o resultado da votação for absolutório, determinará o arquivamento do processo.
Entenda o caso
Imagens flagradas em julho do ano passado e divulgadas em 3 de novembro mostraram o prefeito recebendo R$ 4 mil do dono de uma empreiteira contratada para construir uma creche na cidade, com verba total de R$ 1 milhão repassada pelo governo federal. A denúncia partiu do próprio construtor, Edgar Gomes Ribeiro, que venceu a licitação e, segundo ele, passou a ser pressionado pelo chefe do Executivo para pagar propina. Na época, seu advogado Wilson Tetsuo Hirata disse que o pagamento era referente a parte de uma dívida, no valor total de R$ 31.729,00.
O construtor também acusou o engenheiro da Prefeitura, Thiago Rossi, que pedir dinheiro para realizar as vistorias necessárias e determinar a redução na quantidade e qualidade dos materiais utilizados na obra.
No último dia 10 de março, após cinco horas de depoimento à Polícia Federal de Presidente Prudente, Odair Silis foi indiciado por formação de quadrilha, corrupção passiva, fraude à licitação e concurso material, além de, por ocupar cargo de chefe do Executivo, crime de responsabilidade.
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