Paulo Fernandes
Em 06/11/2009 às 12:02
O Parque Ecológico da Cidade da Criança de Presidente Prudente não receberá mais animais apreendidos pela Polícia Ambiental. Segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, Fernando Luizari Gomes, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não estaria cumprindo com o seu papel de devolver os animais silvestres ao seu habitat natural. O diretor regional do Ibama, José Eduardo Albernaz, rebate e diz que o município não tem autorização para receber animais.
Entretanto, o secretário afirmou que isso não acontece. “O Ibama de Presidente Epitácio não está recebendo os animais. Desde 2007 estamos trabalhando com nossa capacidade máxima. E nessa época de reprodução a demanda aumenta mais, não temos condição de receber mais nenhum animal”, afirmou Luizari em entrevista à Rádio Comercial AM.
Ainda segundo Luizari, a inclusive Secretaria do Meio Ambiente já tentou várias vezes devolver os animais através da Justiça Federal, mas não conseguiu. “No ano passado recebi um processo do próprio Ibama por soltar dez guaxinins no Morro do Diabo. Esta semana eu proibi a chegada de um gavião aqui, não vou responder por ele, não temos lugar adequado. Se ele morrer vai gerar mais um problema”, aponta.
Questionado pela reportagem sobre qual seria o destino dos animais, Luizari reforça que a responsabilidade é do Ibama e não da Prefeitura. “Os animais não são criminosos, a Polícia Ambiental já puni os responsáveis por esse crime, agora é fazer com que eles [animais] voltem para o seu lugar de origem. Nós não vamos ficar recebendo processo do próprio Ibama quando a responsabilidade não é nossa. Não podemos virar depósito de animais. Para que eles não morram, cada uma precisa fazer a sua parte. Onde começa o compromisso de um termina do outro”, dispara o secretário.
Em entrevista ao Portal, o diretor do Ibama de Presidente Epitácio, Eduardo Albernaz, informou que os animais realmente não podem ser recebidos pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e que para regularizar a situação é necessário criar um centro de triagem. “A Cidade da Criança realmente não pode receber esses animais. Em primeiro plano o Ibama deve ser informado da apreensão. Então os animais deveram passar por um levantamento médico e isso não é tão simples”, afirma.
“Cabe às instituições públicas criarem um centro de triagem para cuidar desses animais, não é de responsabilidade do Ibama ficar com os animais, nós apenas encaminhamos para lugares específicos, somos o órgão fiscalizador. O que acontece com a Cidade da Criança é uma irresponsabilidade técnica de gestões anteriores. Sem condição e autorização, foram pegos vários animais silvestres, eles procriaram isso é normal, a super lotação é conseqüência. Isso se resolve com o centro de triagem”, explica Albernaz.
Ainda segundo o diretor regional do Ibama, as multas foram conseqüência desses atos e para devolver qualquer tipo de animal para a natureza é necessário levar em conta a situação da área florestal. “Para isso é necessário um planejamento, não pode pegar os animais e soltar no Morro do Diabo, por exemplo. É preciso estudar e controlar a situação das espécies, manter o equilíbrio”, cita.