Paulo Fernandes
Em 23/04/2010 às 17:58
Desde o último dia 14 de abril está proibida a entrada de qualquer pessoa no lixão que não seja funcionário público. O local está sendo isolado, em cumprimento ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a Prefeitura e o Ministério Público para encerramento da área e criação de um aterro.
“Estou desempregado. Em casa já acabou o gás, cortou água. Minha filha já pede o leite e não consigo nem entrar para pegar umas latinhas”, diz o catador David da Silva Donado.
Vanessa Fernandes é esposa do catador Jorge Pessoa e, de acordo com ela, o marido está fazendo bicos para não deixar faltar comida em casa. “Nós estamos sem renda. Ficamos sabendo que vamos receber na segunda-feira. Vamos esperar. Meu marido tem serviço até o fim desta semana”, afirma.
Segundo ela, catadores não estão contentes com a decisão e também preocupados com a renda familiar. “Tiramos aqui em casa de R$ 1.500 a R$ 2.000 no mês. E isso é porque a gente trabalha bastante no lixão. Como vamos viver com R$ 510?”, questiona, pontuando que caso a verba não seja paga na segunda-feira (26) até o meio-dia, eles vão invadir o lixão.
A secretária municipal de Assistência Social, Regina Penatti, informa que são aproximadamente 150 famílias cadastradas no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e que está dentro do prazo combinado para realizar a atualização dos cadastros e início do pagamento de R$ 510 mais os benefícios.
“Já nessa quinta-feira [22] iniciamos a entrega das cestas básicas para cerca de 80 famílias com os cadastros atualizados e legalizados. A partir dessa segunda vamos iniciar o pagamento dos salários também para estas 80 famílias e consecutivamente para os outros”, ressalta Penatii.
A secretária ainda salienta algumas dificuldades para realizar o cadastramento, pois várias pessoas não tinham os documentos pessoais. “Não estamos virando as costas, mas vamos ajudar dentro da lei e do tempo certo que legalize as coisas. A impressão que se tem é que eles mesmos não querem ser ajudados, porque alguns que moravam no lixão não foram procurar a secretaria para receber auxílio e depois ficam dizendo que não estamos fazendo nada.”
Protesto
Na manhã desta sexta-feira, cerca de 50 catadores do lixão foram até o local para tentar o garimpo, mas foram impedidos pela Polícia Militar. “Nós calculamos esta quantidade de pessoas que estiveram no local, mas não chegaram a entrar no lixão, apenas chamaram a atenção da Prefeitura e conseguiram”, diz o major da Polícia Militar e responsável pela segurança no lixão, Laudeline Marco Passos.
De acordo com ele, a PM vai agir sempre que a Prefeitura achar necessário para dar segurança aos funcionários públicos. “Estamos trabalhando no lixão desde que foi fechado. Nossa missão é manter a segurança de todos e zelar pelo local que pertence ao município.”
Sobre a ameaça de invasão, o major Passos diz que a polícia vai trabalhar com a hipótese de que a Prefeitura vá fazer o pagamento. “Caso realmente haja a invasão, vamos atuar se a Prefeitura solicitar. Nossos trabalhos serão à base da orientação. Se for necessário, vamos fazer boletins de ocorrência por desobediência contra àqueles que não quiserem sair”, cita.