Rubens Shirassu Jr.
Em 15/07/2010 às 14:48
Etsaod das coisas O universo da política representativa é como o Universo mesmo, o Universo dos gases da química da matéria orgânica. Em todas as teorias sobre a origem do Universo sempre se chega a um ponto em que a única explicação possível é a criação de matéria do nada. Onde havia nada de repente há matéria espontânea, uma existência gerada do vazio, ou Buraco Negro. Isso corresponde àquele momento em que um empresário bem sucedido decide ser deputado ou governador, alguém com “carisma financeiro” ou só notoriedade decide que ser eleito, uma categoria se personaliza em alguém com cara, nome e número de registro, e nasce um agente político – ou, no mínimo, uma nuvem de gás xenônio ou intestinal com possibilidades. Claro que, muitas vezes, em lugar de vocação há só pretensão ou mal disfarçada picaretagem, mas antes de rir dos astros e estrelas do grande espetáculo, pense nisso: você está presenciando um grande mistério da natureza, fauna e flora política, a impregnação do chamado “processo democrático de fermentação digestiva” na sua finitude. A efemeridade, a decadência e a apelação de um político, de um representante, que se desmanchou no ar. É fácil lamentar o político estereotipado, ou folclórico, mais difícil é pensar numa alternativa para esse estado de coisas. Aceitamos que essa partícula de xenônio, um conceito decididamente menor do que o momento exige. Nossos políticos repetem a fórmula de “pokemonkeys e digimoneys”, mutantes com poderes fantásticos, que entram no universo químico dos cartéis. Sua falta de plataforma também vai afetar a vida de milhares de pessoas. Há sérias dúvidas sobre se o político “pokemonkey ou digimoney” vai resolver alguma coisa, além de qual “picuinha” vai arrumar daqui em diante, mas faltam preparo, equilíbrio, flexibilidade, boa assessoria e inteligência para governar. De outro lado, a simpatia de um público pela sua origem humilde e sua rápida ascensão profissional. Aceitemos esta máxima consoladora: a democracia e a política passam, necessariamente, pelo ridículo.
Deve-se julgar as coisas pela sua deformação, e quem, nesta perplexidade de confronto entre políticos, se apavorou com a coleção de grotescos encenando suas tragédias, não entendeu bem o espírito da coisa. Coisa, no caso, a democracia.
*Rubens Shirassu Jr. é designer gráfico e escritor
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