Carlos Hideki
Em 07/07/2010 às 16:06
Especialistas prudentinos valorizam o projeto de lei aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (7) que proíbe a difamação entre os pais na presença do filho. Isso ocorre principalmente em casos de divórcio e, de acordo com profissionais consultados pelo Portal, esse tipo de comportamento acarreta conseqüências que acompanham a criança por toda a vida.
O projeto aprovado pelo Senado já passou pela aprovação na Câmara dos Deputados e para entrar em vigor espera a sanção do Presidente da República. Ele prevê punição que vai de advertência à perda da guarda da criança, passando por multas para os pais acusados de difamação ao ex-parceiro, de omitir informações do filho e de dificultar acesso à criança.
A psicóloga Kátia Pio aprova a medida porque as brigas entre os pais afetam os filhos transformando-os em pessoas inseguras, com baixa auto-estima e complexo de inferioridade e, como conseqüência, infelicidade durante a vida adulta. “A personalidade da criança tem como base pai e mãe e o corte de vínculo afetivo pode ser irreversível”, afirma.
Segundo ela, a insegurança surge a partir das dúvidas que as crianças têm e são impostas pelos próprios pais. “Quando o filho está com a mãe, acha que está traindo o pai e quando está com o pai, acha que está traindo a mãe, gerando um conflito interno”, fala.
Ela expõe que a separação em si não traz problemas para as crianças e que muitas vezes é uma vantagem. “Quando separam, a qualidade de pai e mãe melhora, o casal passa a dar mais atenção para os filhos”, explica, completando que o problema está nas brigas que ocorrem porque os pais utilizam os filhos para tirar algum tipo de vantagem.
Para a conselheira tutelar, Rosalim Sales Nogueira Lima, o projeto de lei é importante, já que as brigas entre ex-cônjuges deixam as crianças desequilibradas e causam traumas emocionais. “A criança não tem maturidade psicológica e emocional para encarar esse tipo de situação na família”, diz.
De acordo com a coordenadora administrativa interna do Conselho Tutelar, Franscisca Gomes da Silva, independente da lei ser sancionada eles já trabalham com situações em que crianças passam por traumas. “O Conselho Tutelar já faz acompanhamento e oferece atendimento psicológico às crianças que passam por traumas emocionais”, informa.
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