Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Estudante de Medicina é voluntária em hospital de Angola

Da Redação

Em 11/02/2010 às 17:31

Amor à Medicina e determinação em ajudar o próximo. Esses foram alguns dos motivos que levaram a aluna Bruna Gimenes Rolim, do 8º termo de Medicina da Unoeste, a passar 20 dias em estágio médico na Clínica CEML em Lubango, uma cidade localizada no sul da Angola, com cerca de 318 mil habitantes.

Bruna explicou que a idéia surgiu através de um amigo brasileiro que vive na África há dez anos e realiza trabalhos evangélicos. “Durante uma conversa, ele me falou sobre o médico canadense, Dr. Stephen Foster, que vive no país há 30 anos”.

No mês de janeiro, já na África e hospedada na casa do médico e de sua esposa, Bruna acompanhou de perto diversas cirurgias, onde auxiliava na instrumentação. “A falta de recursos é absurda. O governo local não libera medicação e muitas coisas são feitas no improviso. Apenas dois médicos cuidavam de toda clínica e três vezes na semana chegavam a fazer de 15 a 20 cirurgias por dia”.

Em uma dessas experiências médicas, a aluna disse ter ficado chocada com um episódio. “Um senhor de meia idade, com uma escara (ferida) na perna, que permanecia por muitos anos, teve que amputá-la. Logo após a cirurgia, ele dizia umas palavras no dialeto local que não consegui compreender. Perguntei então ao enfermeiro e ele me explicou que o homem agradecia a Deus e ao doutor porque agora, apesar da perna amputada, não sentiria mais dor”.

A rotina de trabalho era intensa, das 8h às 20h, e além do acompanhamento nas cirurgias, Bruna também realizava trabalhos nas áreas de emergência, pronto-socorro, enfermaria e visitas aos pacientes. A aluna conta que numa cidade próxima constatou que a situação era pior. “O único hospital de grande porte que sobrou depois da guerra não tinha nenhum médico. Os enfermeiros faziam os partos e a maioria dos atendimentos. O Dr. Stephen vai ao local uma vez por mês para fazer as cirurgias mais urgentes”.

De toda a experiência vivida na África, a estudante tirou uma lição para a vida inteira. “Apesar do sofrimento e todas as dificuldades dos angolanos, de guerras, perdas, fome, falta de estrutura, o povo é alegre, todos vivem sorrindo”.

Em relação aos planos para o futuro, Bruna pretende continuar fazendo trabalhos voluntários após a graduação. “Quero trabalhar em alguma região do Brasil que necessite de ajuda para ao menos, tentar amenizar um pouco o sofrimento das pessoas”.

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