Do Estadão
Em 16/03/2010 às 08:50
Acusado de ser um dos protagonistas do maior escândalo de doping do País junto com o colega Jayme Netto Júnior, o técnico Inaldo Sena, 38 anos, considerou que a suspensão de quatro anos imposta após julgamento da Comissão Disciplinar do STJD do atletismo, na última quinta-feira, foi “muito rigorosa”.
Para Inaldo, a suspensão por dois anos seria a mais justa para todos os envolvidos. "Eu acho que a punição mais branda, mais justa para mim e para os outros, seria de dois anos. Mas, se deram quatro, fazer o quê?", indagou o treinador..
Sena era o treinador de Josiane Tito e de Luciana França. Ambas foram flagradas pelo uso de eritropoietina, assim como Bruno Lins, Jorge Célio Sena e Lucimara Silvestre, que trabalhavam com Jayme. Reunidos em um grupo que treinava em Presidente Prudente, todos eram contratados da Rede Atletismo e foram alvo de exame-surpresa realizado na cidade no dia 15 de julho de 2009. O resultado positivo dos testes foi divulgado no início de agosto, quando todos estavam em Berlim, preparando-se para o Mundial que foi realizado na capital alemã.
O julgamento do caso demorou quase sete meses para ocorrer. E as punições aplicadas - suspensão de quatro anos para os técnicos e de um ano para os atletas - desagradou tanto à procuradoria da Comissão Disciplinar quanto à Agência Nacional Antidoping. Por isso, um recurso deve ser apresentado ao Pleno do STJD até o fim da semana.
Para o procurador Edson Rosas Júnior, Inaldo e Jayme deveriam ser banidos do esporte. Possibilidade que não causa grande preocupação a Sena. "Quem nunca errou? Acho que seria uma medida injusta."
O treinador, porém, admite que ele e Jayme tiveram parcela de responsabilidade - acusaram o fisiologista Pedro Balikian de ter recomendado o uso de EPO em doses que seriam indetectáveis em exames de doping para acelerar a recuperação dos atletas. "Eu e o Jayme assumimos parte da responsabilidade, mas não culpo quem não assumiu."
Afastado, Inaldo já sabe o que fará nos próximos quatro anos, caso a punição seja mantida: "Trabalhar e estudar", resumiu, lembrando que é formado em educação física e que vai fazer curso de mestrado. Trabalha como personal trainer e também na Secretaria de Esportes de Presidente Prudente. Lembrou, ainda, ser servidor concursado desde 1994 e contou que ganhou pouco dinheiro com o atletismo. (Matéria de Sandro Villar/Estadão)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Portal Prudentino.
