Thiago Ferri
Em 10/02/2010 às 18:34
Após o prefeito de Presidente Prudente, Milton Carlos de Mello (Tupã), anunciar no fim da tarde desta quarta-feira (10) que abrirá licitação para contratação de empresa para administrar os serviços de água e esgoto na cidade, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que dava como certa a renovação, revelou ao Portal que tinha aumentado essa semana a proposta pela outorga para R$ 60 milhões. A empresa acredita que, se entrar na concorrência pública, vence a disputa com uma oferta “bem menor”.
O superintendente regional da Sabesp, Izaias Storch, se mostrou surpreso com a decisão da Prefeitura. “Oficialmente ainda não estou sabendo dessa decisão, mas é uma atitude normal de administração pública. Confesso que estou surpreso, porque na última segunda-feira [dia 8] fizemos uma proposta que considero imbatível”, diz.
De acordo com ele, a estatal aumentou a proposta pela outorga de 30 anos dos R$ 41,2 milhões oferecidos em outubro do ano passado para R$ 60 milhões. “Seriam R$ 20 milhões agora, mais R$ 20 milhões em janeiro de 2011 e outros R$ 20 milhões em janeiro de 2012”, explica.
O superintendente da estatal ainda revela que, nesta proposta, constava tarifa social de 10%, que estenderia o benefício para aproximadamente 6.600 famílias da cidade, já que Prudente tem hoje 66 mil ligações de água e, atualmente, 1.500 famílias com a tal tarifa social.
A principal reivindicação do prefeito Tupã, o “perdão” de uma dívida que, segundo a Sabesp, hoje chega a mais de R$ 28 milhões, também constaria na proposta. “Há o equacionamento do débito de R$ 28.689.344,78. Não é um perdão da dívida porque a Sabesp é uma estatal e não pode fazer isso, mas, resumindo, não sairia nada dos cofres da Prefeitura com esse equacionamento”, conta Storch.
Ele explica que, com a abertura de licitação por parte do município, a empresa agora vai analisar um modo para encerrar o contrato vigente. “Vamos procurar o prefeito para encerrar amigavelmente o contrato à luz da legislação. Caso não seja possível, acionaremos a via judicial”, diz.
“Só depois disso resolvido a empresa vai tomar uma decisão estratégica sobre sua participação ou não no processo licitatório. Eu, particularmente, acredito que participaremos e com um valor muito inferior ao que propusemos essa semana [R$ 60 milhões]. E ainda vamos ganhar, porque a iniciativa privada não consegue cobrir nossa oferta. Aquela proposta era irrecusável”, pondera Storch.
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