Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Tratamento com brinquedos pode previnir delinquência juvenil

Do R7

Em 03/02/2010 às 14:28

É nos dois primeiros anos de vida que se forma a base emocional do ser humano. Por isso, relações conflituosas com pai e mãe nessa idade geram reflexos negativos por toda a vida. Estes traumas levados adiante podem criar futuros delinquentes juvenis. Essa é a conclusão do trabalho da pedagoga Andréia Wiezzel, professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT/Unesp) de Presidente Prudente, que optou em aplicar um tratamento lúdico em crianças de comportamento agressivo ou muito tímido para entender o fator destes problemas.

O trabalho é realizado na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Aparecida Alves, na Vila Formosa, com 17 crianças de 3 a 6 anos.

Segundo Andréia, ao usarem brinquedos, as crianças expuseram seus traumas escondidos no inconsciente. “Quando esses comportamentos não são tratados logo cedo, acabam se agravando, podendo levar a episódios de violência física e verbal, e até mesmo de abandono da escola”, afirma.

Um garotinho de quatro anos, por exemplo, brincava de atirar um carrinho de certa altura para que o objeto se espatifasse no chão. Dentro do carro o garoto colocava uma figura feminina e outra masculina e ria muito quando o brinquedo caía.

Os terapeutas constataram que a criança estava projetando a frustração de se sentir abandonado, já que ficava na escola das 7h às 19h, e os pais ainda o deixavam na casa da avó nos fins de semana.

O trabalho conta também com a participação de uma psicóloga, uma psicopedagoga, além da equipe do colégio e de alunos de graduação em pedagogia. Uma fonoaudióloga também ajuda a equipe, identificando problemas da fala causados por razões emocionais.

Andréia Wiezzel observa que, mesmo quando os pais reconhecem os problemas emocionais do filho, têm dificuldade de ouvir dos profissionais os motivos que levam a esse comportamento. Para ela, as relações que eles estabelecem entre si e com a criança precisam ser bem definidas, ou causarão confusão, medo e sentimento de perda.

Este ano, as sessões passarão a atender 24 alunos da escola Aparecida Alves, número que pode crescer até 2011.

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