Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Carmo Malacrida lança o livro de artista 'Mira'; obra está disponível no Museu

Da Redação

Em 24/09/2025 às 17:30

Livro está disponível para apreciação no espaço expositivo da instalação da artista no Museu

(Foto: Divulgação)

A artista visual Carmo Malacrida apresenta o seu novo trabalho: o livro de artista 'Mira'. Em dois volumes, a obra investiga imagem, tempo, espaço e memória a partir do arquivo fotográfico de seu pai, Felino Malacrida (1926–2017). 

Carmo Malacrida nasceu, vive e trabalha em Presidente Prudente. É artista visual, educadora, pesquisadora e desenvolve processos curatoriais independentes. Em sua prática artística, investiga memórias familiares e cria acumulações com edições que ressignificam imagens e objetos já produzidos, em articulações entre corpo, memória e materialidade.

No livro, ela propõe uma experiência estética que dialoga com os estudos do fotógrafo belga Etienne Samain (1938) sobre as camadas de tempo presentes na imagem, do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995) e seus conceitos de imagem-tempo, do professor belga-brasileiro Philippe Willemart, que discute o espaço psicológico na criação, e com os conceitos de edição e montagem discutidos pelo curador e crítico de arte francês Nicolas Bourriaud (1965).

Esses registros, editados com (re)arranjos que atravessam tempos ausentes (re)imaginados por Carmo no presente, com intervenções de desenhos, bordados e costuras, traduzem-se em um diálogo sensível entre gerações, ao entrelaçar os olhares e os fazeres manuais de pai e filha, ancorado na lenda oriental do Akai Ito — o fio que une aqueles destinados a se encontrarem.

O resultado é uma trama em que o tempo não é o do relógio, nem o inventado pela ciência, mas o da ausência habitada. É o kigô, tempo oriental da transitoriedade: das quatro estações que, em ciclos, permanecem, dos ventos que sempre sopram. É também o tempo do agora, inscrito pela artista ao se apropriar desse arquivo, editá-lo e reescrevê-lo, abrindo-o a novas leituras.

Tecidos em um ritual solitário, reflexivo e silencioso, Mira aproxima diferentes espaços e territórios que se tocam e se confundem. Neles, imagens da artista e de seus irmãos ainda crianças transitam, em fotomontagens híbridas, pelos ciclos vividos pelo pai, em outros tempos.

O projeto foi contemplado pela Lei Aldir Blanc, lançada pelo Ministério da Cultura e Prefeitura de Presidente Prudente. "Mais do que um registro, Mira é um exercício de edição, um gesto de reinscrever o arquivo no presente, abrindo-o a novas leituras e camadas de sentido. Essa abordagem evidencia a potência do livro de artista como espaço expandido, em que materialidade, imagem e narrativa se cruzam, oferecendo ao público um objeto para ver, tocar e experienciar", define.

O livro está disponível para apreciação no espaço expositivo da instalação da artista no Museu e Arquivo Histórico Municipal Antônio Sandoval Netto (MAH). O espaço conta com acessibilidade e entrada gratuita.

Serviço
Visitação: até  29 de novembro
Horário: terça à sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h
Local: MAH – Museu e Arquivo Histórico Municipal Antônio Sandoval Netto
Rua Dr. João Gonçalves Foz, 2179 – Jardim das Rosas 
Entrada gratuita, com acessibilidade

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