Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Sem alvará, realização da Batalha do Vale corre risco em Prudente

Rogério Mative

Em 20/07/2019 às 13:45

Batalha do Vale é realizada nos fins de semana, na Praça Oscar Figueiredo Filho

(Foto: Cedida/Batalha do Vale)

Disputa de rimas por meio do hip hop entre jovens da periferia, a Batalha do Vale realizada na Praça Oscar Figueiredo Filho, Parque do Povo de Presidente Prudente, tem sua realização em risco. Sem resposta de secretarias municipais, os organizadores reclamam de "descaso".

Por meio de nota divulgada nas redes sociais, o coletivo responsável pelo evento afirma possível "boicote" diante da falta de resposta a ofícios solicitando a liberação da praça para este sábado (20), quando o local receberá pré-seletiva de duelo de MCs organizada pelo Circuito Paulista de Batalha de MCs (CPBMC).

"Nunca pedimos nada para a prefeitura, passamos dificuldades toda semana com equipamentos, com a dificuldade de utilização de energia da praça. Já tentamos marcar diversas reuniões com o secretário do Meio Ambiente, Wilson Portella, apenas para exigência de uma simples coisa, uma tomada para nós ligarmos nossos equipamentos livremente, sem precisar ficar indo lá expedindo alvará toda semana", diz o texto.

Segundo o coletivo, a secretaria negou autorização para o evento deste sábado. "Ninguém nunca teve a coragem de dar ouvidos para jovens que promovem a Cultura na cidade. A boa nova é que a Secretaria do Meio Ambiente não quer autorizar o uso da praça. Um dia que irá acontecer um evento com nível regional, reunindo artistas do Centro/Oeste Paulista. Um evento que vai mobilizar um coletivo que está saindo da capital para realizar as atividades juntos com a Batalha Do Vale, alegando que nós fomos entregar esse requerimento tarde de mais".

Conforme um dos organizadores, Igor Enrique Santos, o evento que deve receber 300 pessoas contou com o apoio do gabinete da vereadora Alba Lucena (PTB) para a confecção e envio dos ofícios.

"Durante a semana, eles foram fazendo [os ofícios]. Porém, recebi uma ligação de que não poderíamos usar a praça por falta de assinatura. Fazemos a batalha coletando dinheiro do chapéu para comprar nossos equipamentos. Não temos direito nem de utilizar energia para promover nossos encontros. A Alba sempre nos deu apoio e vem nos ajudando. Mas, o Portella foi negligente com nós", reclama.

Outro lado

Ao Portal, Portella esclarece que o coletivo deve, antes, comunicar a Polícia Militar sobre o evento. "Tem que ter alguém que seja responsável para responder por danos eventuais. Precisa alguém assinar o pedido e comunicar a polícia com antecedência", fala.

"Parece que foi enviado sem assinatura e sem comunicar a polícia. O pedido parece que chegou no final de tarde [de sexta-feira,19]. Precisa que outras secretarias se manifestem", diz.

Segundo o secretário, o uso da iluminação deve ser solicitado à Secretaria Municipal de Obras. "E se tiver comércio passar pela Sedepp [Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico] e ver se a praça não está agendada antes para outro evento que pode ser autorizado pela [Secretaria de] Cultura ou Sedepp", pontua.

Sem alçada, mas apoia o evento

De acordo com o secretário municipal de Cultura, Fábio Nogueira, o único local dependente de autorização de sua Pasta é o teatro de arena da Praça Nove de Julho. "Por determinação, a Secretaria de Cultura não pode autorizar nenhum evento em nenhuma praça. O único local subordinado à secretaria é o teatro de arena na Praça Nove de Julho, sendo o único lugar que autorizamos ou não", frisa.

"Sobre o evento em questão, se obedecer toda a legalidade sou 100% a favor dele. É uma manifestação cultural que precisa ser respeitada", opina.

Mais envolvidos

A reportagem não conseguiu contato com os responsáveis pelas secretarias de Obras e de Desenvolvimento Econômico. A organização do evento não soube informar sobre o protocolo junto à Polícia Militar.

Promete achar saída

"Se barrar, nós vamos bater palma e pedir energia dos vizinhos. Achamos uma saída para tudo. Estamos desde 2015 batalhando e nunca ofereceram uma ajuda. Só querem barrar, lacrar nós", finaliza Igor Santos.

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