Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Espetáculo discute alma feminina e loucura como escape às fatalidades

Da Redação

Em 27/03/2019 às 10:00

‘Yayá’ ilustra a história de uma mulher que teve sua vida marcada por tragédias. Em seguida, ocorre um bate-papo com o elenco

(Foto: André Guisard)

O Sesc Thermas de Presidente Prudente recebe o Teatro Humanóide com o espetáculo 'Yayá'. Ele fala da alma feminina e discute a loucura como escape às fatalidades das tragédias humanas. Gratuita, a apresentação ocorre nessa quinta-feira (28), às 14h, na área de convivência.

A história se passa por volta de 1919, sob uma organização sociocultural diferente. Desta forma, um dos pontos centrais da trama é a questão de Yayá ser considerada louca pelo fato de não querer se casar. “[o espetáculo] Trata de questões do universo feminino e de tudo o que a nossa cultura impõe à mulher”, comenta a atriz Luciana Camargo.

Dona Yayá teve uma vida marcada por tragédias. Com a morte de seus familiares, herdou uma fortuna, mas logo sucumbiu a uma doença mental que a impediu de administrar ou usufruir de seus bens, tendo sido mantida reclusa por 42 anos.

Após falecer e sem nenhum herdeiro, a fortuna de Yayá é considerada bacante e doada pelo governo à Universidade de São Paulo. A casa que viveu reclusa durante tantos anos é transformada, pela então universidade, em um Centro de Cultura, Memória e Pesquisa, também conhecido como Casa de Dona Yayá.

O espetáculo nasceu da união entre a história real de Yayá e o conto ‘Sapatinhos Vermelhos’, do livro 'Mulheres que Correm com Os Lobos', escrito pela psicóloga norte-americana Clarissa Pinkola Estés que, segundo a atriz, retrata obsessão e a criatividade da mulher sufocada transformada em loucura.

“O espetáculo trata da alma feminina e da forma que somos subjugadas pela nossa cultura, como sempre fomos, a abafar os nossos desejos, nossos quereres, nossas vontades, e isso, de uma forma muito trágica, é mostrado na história de dona Yayá quando ela é reclusa na própria casa, durante 42 anos, por apresentar algumas opiniões frente à sua época”, declara Luciana.

Após o espetáculo haverá uma bate-papo com o elenco sobre a relação entre o tema da peça, a condição da mulher e o envelhecimento. O Sesc Thermas é aberto ao público, fica na Rua Alberto Peters, 111, no Jardim das Rosas.

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