Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Atendimentos de dengue são centralizados no Cohabão para desafogar UPAs e UBSs

Comitê de Enfrentamento segue parado por falta de participação de membros

ROGÉRIO MATIVE

Em 26/05/2022 às 16:01

Cohabão volta a ser referência para desafogar UPAs e UBSs; local fará atendimento de pacientes com dengue

(Foto: Arquivo/Secom)

Como ocorreu durante os picos da pandemia de covid-19, os atendimentos de pessoas com dengue foram centralizados em apenas um único lugar. A medida tomada pela Secretaria Municipal de Saúde visa acabar com o desencontro de informações, além de desafogar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que enfrentam superlotação diante do surto da doença. Presidente Prudente beira 800 registros positivos e 4,3 mil casos em investigação.

Segundo a secretária municipal de Saúde, Márcia Lima Dantas, a população deve procurar primeiramente, e de forma direta, o Centro de Apoio à Dengue, anexado à Unidade de Saúde da Cohab, o Cohabão.

"Foi identificado que está ocorrendo uma confusão entre os pacientes sobre onde buscar o atendimento. Mediante a isso, o prefeito [Ed Thomas, PSB] solicitou que os atendimentos sejam feitos no Centro de Apoio à Dengue. Então, todos os atendimentos serão feitos lá. Aqueles pacientes que necessitarem de encaminhamento para UPAs, isso será feito pelo Centro de Apoio", explica, em entrevista ao Portal.

Ela ressalta que as UPAs do Guanabara e Ana Jacinta atenderão apenas casos com encaminhamento. "Não é para a população espontaneamente procurar as UPAs. Para ser atendido nas UPAs, precisará ser encaminhado".

O mesmo vale em relação à procura por atendimento em Estratégias de Saúde da Família (ESFs) e UBSs. Ou seja, os casos também serão direcionados para o Centro de Apoio na Cohab. "O excesso de informação sobre locais acaba causando uma certa confusão e gerando sobrecarregamento, com grande demanda de atendimentos nesses locais", frisa.

UPA do Guanabara lotada na tarde desta quinta-feira | Foto: Cedida/Miriam Ribeiro

E no período noturno?

O Centro de Apoio à Dengue funciona de segunda à sexta-feira, das 7h às 19h. Após esse horário, as Unidades de Pronto Atendimento atenderão todos os casos de dengue classificados com urgência e emergência. 

Entre os sinais de alerta para procura imediata estão: dor abdominal intensa, vômito persistente, queda abrupta de temperatura, sangramentos, agitação ou sonolência, tontura ou desmaio, pele fria e pálida, diminuição da quantidade de urina (em casos com hidratação normal), dificuldade de respirar ou choro persistente no caso de crianças.

Esses sintomas podem aparecer a partir do terceiro dia e indicar dengue em estágio grave.

Prestando contas

Nesta quinta-feira (26), Márcia Dantas esteve reunida com integrantes do Ministério Público Estadual (MPE-SP) para debater a situação da dengue na cidade. De acordo com ela, o encontro foi positivo. "Contamos com o apoio e manteremos esse trabalho junto com o MP", fala.

"Apontamos quais as ações que o município tem desenvolvido na luta contra a dengue. Tem o Bloqueio de Criadouros, onde o agente de saúde vai na casa do morador e, junto com ele, observar o acúmulo de água em recipientes para eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes Aegypti. Existe um movimento que é o 'Cuide do Seu Lixo', com o objetivo de conscientizar a população sobre o peso que isso tem na eliminação de doenças. Lixo significa dengue, Zika, Chikungunya, escorpiões e roedores. Precisamos cuidar do lixo, descartando de forma adequada", relata.

Sem interesse

A secretária aponta dificuldades em reativar o Comitê de Enfrentamento à Dengue, criado em 2014. "Na última reunião que tivemos, as pessoas não compareceram. O comitê tem a participação da sociedade civil, pois o Poder Público não consegue sozinho dar conta de toda essa demanda. A gente precisa que as pessoas participem junto com todos os setores da sociedade. Precisamos do envolvimento de todos", reclama.

Márcia Dantas reforça a necessidade do engajamento da população em relação ao descarte correto do lixo. E avisa: nebulização não é a salvação. "A população precisa se conscientizar sobre a importância do descarte do lixo. A culpa ainda é nossa, a população precisa cuidar do lixo e não acumular recipientes em casa", diz. 

"Sobre a nebulização, ela mata o mosquito. Ela é realizada quando tem casos confirmados de dengue naquela área ou mortes confirmadas e suspeitas. Mas, a população precisa entender que a nebulização não vai resolver o problema da dengue. Precisamos intervir na fase anterior ao mosquito adulto, que é eliminando a água parada e larvas do Aedes. Sem água, não há larvas. Sem elas, não tem mosquito", fala.

Cenário real

Apesar de quase 4,5 mil notificações abertas sem resultados, a secretária afirma que a cidade não sofre apagão de dados. De acordo com ela, a situação real do surto está mapeada pelos órgãos de Saúde.

"O que precisamos entender sobre esse número de casos suspeitos aguardando resultados é que tem pacientes que procuram as unidades de saúde e automaticamente abre a notificação, porém, alguns não voltam para coletar os exames. Desta forma, vai ter um percentual que ficará como 'indeterminado'. Não vamos conseguir encerrar essa investigação faltando exames, a não ser que sejam utilizados outros critérios", explica.

Sem repasse de insumos pelo Governo Federal, Márcia Dantas revela que o município comprou kits para testes em busca de zerar a fila de casos suspeitos. "A Prefeitura, assim que identificou esses exames represados, comprou os testes e eles já foram realizados. E muitos já com resultados divulgados no último boletim. Então, hoje sabemos qual é a situação real da dengue na cidade", finaliza.

 

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